MP dá os nomes dos indiciados como autores

Cleuter Barreto Barros e Leandro Silva Oliveira são os acusados. Presos dizem que responsável vai se entregar amanhã

O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2013 | 02h04

O Ministério Público da Bolívia indiciou Cleuter Barreto Barros, de 24 anos, e Leandro Silva de Oliveira, 21 anos, como autores do disparo do sinalizador que matou o garoto Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, durante o jogo entre San Jose e Corinthians, quarta-feira, em Oruro. Os outros dez corintianos detidos na Penitenciária de San Pedro foram indiciados como cúmplices do crime de homicídio.

Os nomes dos acusados constam em inquérito policial de sete páginas assinado pela fiscal de investigação Abigail Saba e obtido pelo site globoesporte.com.

Os torcedores dizem que são inocentes. Ontem, o Jornal Nacional, da Rede Globo, mostrou reportagem na qual afirma que os corintianos disseram ter recebido do advogado de uma torcida organizada a promessa de que o responsável pelo disparo vai se entregar à Justiça amanhã.

Para o Ministério Público da Bolívia, o crime não ocorreu de forma acidental. O inquérito diz que "um grupo de brasileiros que assistia à partida, de forma premeditada e com intenção de causar dano, dispara de forma direta um artefato explosivo contra o menor Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, causando-lhe a morte".

Pelo código penal boliviano, a pena para homicídio doloso, quando há intenção de matar ou o indivíduo assume os riscos de que poderia provocar mortes, varia de cinco a 30 anos de prisão. Para homicídio culposo, sem intenção, a punição vai de seis meses a três anos.

Abigail Saba também destaca a colaboração dos outros dez torcedores para que Cleuter e Leandro pudessem efetuar o disparo. "Há gravações em vídeo por vários canais de televisão que mostram os torcedores levantando uma bandeira, ocultando o disparo realizado e também os restos do projétil pirotécnico, que não são vendidos em todo o estado boliviano."

No inquérito também consta depoimento de Jonathan Trujillo Beltrán, primo de Kevin. "Senti um golpe de vento que arrancou a touca que eu estava utilizando, parei para ver o que havia ocorrido e vi meu primo estendido sobre uma grade com um objeto alojado em seu olho. Chegaram policiais, levamos rapidamente ao Hospital Obrero, e lá me disseram que meu primo havia falecido."

A autópsia apontou que Kevin morreu de traumatismo craniano causado pelo impacto de um projétil cilíndrico de plástico.

Emoção. O corpo de Kevin foi enterrado ontem em Cochabamba - o translado de Oruro para lá foi feito na sexta-feira. Centenas de pessoas com camisas do San Jose acompanharam o cortejo.

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