Jonne Roriz/Estadão
Jonne Roriz/Estadão

Mudanças afetam preparação dos brasileiros para o Mundial

Quase todos os destaques na Olimpíada de Londres ou do Mundial de Xangai vivem dias agitados

VALÉRIA ZUKERAN, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2013 | 02h06

SÃO PAULO - Faltam 141 dias para o Mundial de Desportos Aquáticos de Barcelona e a preparação da delegação brasileira para o evento tem sido atribulada. Vários dos destaques da Olimpíada de Londres, disputada no ano passado, e do Mundial de Xangai, há dois anos, passaram por dias agitados.

Ostentar o título de melhor resultado da natação na Olimpíada de Londres, uma medalha de prata nos 400 metros medley, não foi suficiente para garantir tranquilidade a Thiago Pereira. Pouco tempo depois de o Corinthians anunciar que não renovaria contrato com o nadador, Cesar Cielo anunciou a dissolução do grupo PRO 16, a qual pertencia . E não bastasse, as mudanças profissionais coincidiram com seu casamento.

"É até estranho", diz Thiago sobre sua situação. "Não posso dizer que estar sem clube não atrapalha. Tanto na parte financeira como na de apoio, pois faltam dois meses para o Troféu Maria Lenk, que é seletiva para o Mundial, e preciso de um clube para representar e brigar pela vaga." O nadador conta que não passa necessidades porque é patrocinado pelos Correios e receberá apoio do governo federal. Também não ficou sem técnico, porque Alberto Silva, o Albertinho, faz parte da comissão técnica da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos. Mas manter o esquema que o levou à medalha está difícil porque, segundo ele, os clubes não aceitam ter um atleta treinando fora de suas dependências e com um treinador não vinculado a eles. "Não entendo. Para mim o importante é que você entre na piscina e ganhe as medalhas", desabafa.

Após o bronze nos 50 metros livre em Londres, Cesar Cielo promoveu mudanças visando ao tricampeonato mundial na prova. O técnico Scott Goodrich chegou ao Brasil com a função de incluir fundamentos do estilo norte-americano de preparação. O programa foi elaborado por Brett Hawke, com quem o nadador trabalhou antes do ouro olímpico nos 50 m livre dos Jogos de Pequim. Com o fim da equipe de natação do Flamengo e a desativação do PRO 16, Cielo deixou de treinar com companheiros de longa data, como o também velocista Nicholas Santos.

Felipe França, ouro nos 50 metros peito em Xangai, mudou de técnico. Arilson Silva deixou o clube Pinheiros e foi para a Itália e, desde a mudança, o nadador trabalha sob orientação de André Ferreira, o Amendoim. Não foi a única mudança na vida do nadador, que mudou de estado civil. O velocista Bruno Fratus, também do Pinheiros, não quis deixar Arilson e treinará com ele na Itália até o Maria Lenk.

Melhor brasileira nos Jogos de Londres, Joanna Maranhão ficou sem clube e voltou para Pernambuco, perto da família, deixando Belo Horizonte, pois também não foi contemplada com a nova bolsa do governo federal. Treina sob orientação de Nikita Costa. "Não vejo motivos para comemorar o início de um ciclo olímpico quando muitos estão sem clube. A prioridade deveria ser dar estrutura para todos de forma decente e aí começar um planejamento."

Nicholas dos Santos ficou sem o Flamengo e o PRO 16. Diz que não tem deixado a situação afetar sua preparação. Está treinando com Felipe Domingues, ex-assistente de Albertinho, enquanto luta para encontrar um clube.

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