Muita gozação, torcida e cerveja entre corintianos e argentinos

Cerca de 100 corintianos e 'argentinos' se divertiram no Moocaires vendo pela TV o 1º jogo da decisão

DANIEL AKSTEIN BATISTA, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h01

Um quadro com a figura da Mafalda, um com a foto de Che Guevara e outro com a Evita. As cores azul e amarelo na parede e uma Quilmes gelada na mesa. O cenário bastante comum em Buenos Aires, no caso, é o de um bar na Mooca, zona leste de São Paulo. E neste reduto argentino o que não faltou também era corintiano fazendo barulho com o empate por 1 a 1.

Cristian Galarza, o proprietário do Moocaires, vestia orgulhoso sua camisa do Boca e não desgrudava o olho da televisão, mesmo servindo sem parar os mais de 100 fregueses - ou torcedores no caso - que lotaram a casa. "Quando tem um jogo decisivo sempre enche aqui", diz ele, arriscando o placar de "2 a 0 lá e 2 a 1 aqui" antes de começar o primeiro jogo da final da Libertadores.

A maioria no bar, claro, era torcedor do Boca. Ou, melhor dizendo, torcedor do Boca apenas nesta final. Que o diga o são-paulino Fernando Chinellatto, sobrenome de origem italiana, mas praticamente um argentino na noite de ontem. "Estava jogando bola e por isso estou assim uniformizado", disse, com calção, meião e camisa tricolor. "Mas foi proposital e vim com um amigo argentino aqui pra secar o Corinthians."

O time alvinegro teve suas chances no jogo e deixou a plateia do bar nervosa. O chute de Paulinho aos sete minutos animou os corintianos e enervou os rivais. A cada cartão amarelo dado, passe errado ou chute ao gol os gritos ecoavam pelo salão.

A paz reinou no ambiente. Xingamentos e provocações entre os torcedores não passaram de uma brincadeira sadia. "São todos amigos da casa", dizia o argentino Galarza, apontando para os corintianos das mesas.

O casal Alexandre e Vânia era um deles. "É mais gostoso ver a cara deles de sofrimento", afirmou Alexandre sobre a escolha do bar. "Eu cuido de boca, pois sou dentista, e estou tomando cerveja argentina. Mas sou corintiana", continuou Vânia.

Mesmo trabalhando em uma casa tipicamente argentina - as empanadas eram os quitutes mais escolhidos do cardápio - e com um chefe torcedor do Boca, a garçonete Fabiana não se intimidou e resolveu fazer seu turno com a camisa do Corinthians. "Avisei para ele que só trabalharia com o manto sagrado."

E o "manto" deu sorte. Com o gol de Roncaglia, os gritos de "Libertadores o Corinthians nunca viu" e "Boca" tomaram conta do local, mas por pouco tempo. Romarinho tratou de calar a torcida argentina e fez com que os corintianos ganhassem sua noite com o empate.

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