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Antero Greco
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Muito barulho por pouco

Aleluia! Que alívio! Acabou a enrolação e no próximo fim de semana começa o Paulista, aquele pra valer - e com três meses e uns dias de atraso. Depois de 19 rodadas, 20 participantes, 190 jogos de escarça emoção e de muito espaço vazio nas arquibancadas, só agora a competição bancada pela FPF passará a despertar interesse e emoção. Porque, pra falar sério, esse tempo foi desperdício de energia e dinheiro de dar dó, inconcebível para os padrões de profissionalismo que o futebol atual exige. Os quatro grandes se classificaram e só fugiu um pouco do script o duelo que farão Santos e Palmeiras.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2013 | 02h03

Antes de qualquer leitura equivocada, ressalto o que já escrevi incontáveis vezes: tenho carinho pelos estaduais. Eles estão na raiz do crescimento das paixões clubísticas pelo país todo. Isso é constatação, história e jamais lhes tirarão tal valor. Gigantes como Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Cruzeiro e tantos outros se formaram a partir dos duelos bairristas. As torcidas cresceram e se esparramaram de olho em combates entre agremiações das capitais e aquelas do interior. Fato.

A rivalidade local durante décadas foi sedutora - e, em certa medida, o fascínio ainda se mantém. Mas os ares são diversos, assim como a época. A globalização avança, por mais que a gente resista - e me incluo na casta agora restrita dos simpatizantes dos estaduais e me acho anacrônico por ver encanto em tira-teimas entre equipes que soam tão familiares. Só que não da forma como se faz, pelo menos em São Paulo já há alguns anos.

Mesmo com turno único, tantos concorrentes a digladiar-se é exagero, improdutivo do ponto de vista esportivo e financeiro. Entendo que os pequenos devam sobreviver, apesar de tornar-se difícil essa empreitada com a falta de recursos. Por isso, a turma do andar de baixo sonha com o momento de medir forças com poderosos. Só que todos se juntam numa barca furada, que tende a arrastá-los pro fundo.

As equipes do interior não têm atrativos - raras as revelações e inúmeros os atletas medianos ou em fim de carreira que são chamados para compor elencos mambembes. Não funciona mais nem a alegação de que se trata de celeiros, como de fato foram um dia. Houve fases em que se aguardava com ansiedade para ver as joias caipiras a serem buriladas por clubes de renome.

Agora, qualquer rapazote com qualidade que bata com jeito na bola já está compromissado com clube grande - ou do exterior. No máximo, faz breve estágio em time secundário e logo se manda. Cadê a graça nisso? Como segurar a atenção do torcedor paroquial? Pra ser bem claro: o Paulista serve para a FPF manter o controle do poder. Os mandachuvas agradam as bases eleitorais e assim tudo fica igual - ou, pior, porque o preço salgado deverá ser pago pelas equipes com orçamentos altos e que são também as mais cobradas.

Mata. O regulamento continua zarolho, e nem se pode escrever "mata-mata" - que, cá entre nós, carrega certo mau gosto. Jogou-se tanto na etapa de classificação, para chegar nas quartas com confrontos únicos. A vantagem de quem ficou nas quatro primeiras colocações se restringe a atual no próprio campo. Quer dizer, um leve vacilo e adeusinho.

Mesmo assim, não há muito o que cravar, exceto o São Paulo como favorito diante do Penapolense. A moçada de Ney Franco, que esteve por um fio na Libertadores, terminou em primeiro e só sai com zebra. Pegará o vencedor de Ponte x Corinthians, que se enfrentaram no ano passado. Em circunstâncias normais, o campeão do mundo passaria, pela excelência do elenco. Registre-se, porém, que os campineiros foram quase impecáveis e só perderam uma vez - para o Palmeiras.

Eis aí a incógnita de novo: o que esperar do Palestra diante do Santos? Tanto pode ser o time que perdeu ontem em Itu como aquele que emocionou diante do Libertad. Duelo aberto, assim como Mogi x Botafogo. Muito barulho por pouco.

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