''Muitos fazem menos gols que eu e são idolatrado''

ENTREVISTA

Entrevista com

, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2010 | 00h00

Washington Centroavante

São-paulino crê que só vai pagar dívida com torcedor com títulos

Washington se considera um injustiçado no São Paulo. Já anotou 41 gols em 69 jogos pelo time, média de entusiasmar qualquer goleador. Menos a torcida são-paulina. É o maior artilheiro da equipe desde que Luís Fabiano foi embora para o exterior, em 2004. Mas por mais empenho, mais gols que faça, o atual camisa 9 não deixa nunca de ser cobrado.

A Taça Libertadores deste ano pode ser sua última chance de fazer as pazes com o torcedor. Washington sabe disso. "O título da Libertadores acho que vai apagar essa cobrança da torcida", diz o artilheiro, confiante, mas ao mesmo tempo magoado. "Tem muito atacante que faz menos gols do que eu e é idolatrado por suas torcidas. O que posso fazer?"

Hoje não tem clássico, nem vale título ainda. Mas uma chance para conseguir paz no Morumbi passa por uma vitória, às 21h30, contra o fraco Nacional, do Paraguai, em casa. Washington já se deu bem na partida de ida (marcou os dois gols da vitória por 2 a 0). Por que não poderia ter sucesso hoje também? "Tomara que aconteça de a gente fazer um gol no começo e ter mais tranquilidade. Mas não sei."

Já fez 9 gols em 12 jogos nesta temporada. É uma média boa, mas ainda quer mais?

Está excelente, é uma média muito boa para um atacante artilheiro. Mas é claro que sempre quero mais, sempre desejo fazer melhor. Então pode melhorar. Tomara que sim. É uma média difícil de ser superada e também de ser mantida, mas estou preparado. Trabalho pra isso. Está sendo melhor até do que a minha do ano passado. Você tem de ter uma média dessas no fim do ano. Isso mostra que foi muito bem e o seu time jogou pelo menos as finais dos campeonatos.

Você que é artilheiro começa o ano pensando em quantos gols pretende fazer na temporada?

Não faço isso, não. Não imagino média, número de gols, nada. Não boto números, porque, se não conseguir, fico frustrado de planejar um número e não chegar lá. Se, por outro lado, chego à meta antes, tenho medo de me acomodar e acabar me prejudicando. Quero fazer sempre o maior número de gols possível, mas não tenho número exato.

Mesmo você fazendo todos esses gols, sempre há cobrança da torcida, que pega no seu pé. O que acha que precisa fazer para acabar de vez com isso?

Títulos. E gols decisivos também. Gols em clássicos, em final, a torcida gosta muito. O título da Libertadores acho que vai apagar essa cobrança da torcida. Tem muito atacante que faz menos gols do que eu e é idolatrado por suas torcidas. O que eu posso fazer?

O que acha que causa isso?

Eu penso que foi por causa daquele jogo da Libertadores entre Fluminense em São Paulo (3 a 1 para os cariocas no Maracanã, em 2008). Fiz o gol que eliminou o São Paulo (no último minuto do confronto) e cheguei aqui com uma dívida que eu tinha de pagar. Acabou não sendo na Libertadores do ano passado. Acho que não teria outro motivo.

Você já chegou a ter medo, temer pela sua segurança e de sua família principalmente depois da eliminação (diante do Cruzeiro, nas quartas de final) da Libertadores do ano passado?

Não, eles sabem que a gente tenta sempre fazer o melhor. Não sou jogador que fica saindo à noite, indo a festas. Mesmo eu não vivendo um grande momento, uma boa fase, eu sempre luto pela equipe, procuro fazer meu melhor. Por isso, nunca temi esse tipo de coisa.

Falta um gol para você alcançar a artilharia da Libertadores. Você acha que o Nacional é um bom time para você alcançar esse objetivo?

Eu não sei (risos). No último jogo (marcou dois gols em Assunção), foi. Mas nesse jogo já não sei. Espero fazer mais gols e ajudar o time a vencer. Mas o Nacional jogou melhor fora de casa do que em casa. Por isso penso que o jogo de amanhã (hoje) será dificílimo. Acho que eles vão marcar mais e nós vamos ter menos espaços. Tomara que aconteça de a gente fazer um gol no começo da partida e ter mais tranquilidade. Mas, se não fizer, temos de ter paciência. / G.C.

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