Miriam Jeske/COB
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Mulher negra está fora do imaginário construído no surfe; leia análise

Para professor da USP, as práticas ESG das empresas e ações afirmativas contribuem para atletas pretas e pardas conquistarem espaço no surfe

Dennis de Oliveira*, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2021 | 05h00

Uma das consequências do racismo estrutural é a criação de espaços permitidos e espaços vetados para os negros. Do ponto de vista geral, os espaços permitidos são os lúdicos, como os esportes e as artes. Os espaços vetados são aqueles de poder. No esporte, a presença negra é admitida no futebol. Nos esportes mais elitizados, como surfe, natação e tênis, existe praticamente um veto à presença negra.

O surfe está ligado às imagens de jovens brancos, de classe média. Esse é o imaginário construído. Nesse contexto, a mulher negra está fora desse imaginário. Por isso, essa dificuldade às verbas publicitárias. As marcas não querem associar sua imagem a uma atleta negra porque ela contradiz esse imaginário hegemônico de sucesso no esporte.

Existe maior visibilidade negra a partir das conquistas de políticas públicas e ações afirmativas do movimento negro. Isso começou a romper com os espaços proibidos. Existem mais negros nas universidades e em espaços antes vetados. Isso fez com as empresas começassem a mudar seu comportamento.

Dentre as melhores práticas consolidadas na sigla ESG no mundo corporativo (meio ambiente, social e governança) , o pilar social abrange a questão de gênero e racial. As empresas que associam suas marcas à ideia de diversidade agregam valor às suas marcas.

Para avançar nas questões de diversidade, o surfe precisa se popularizar. Com o aumento do número de praticantes e espectadores, a indústria esportiva passa a se preocupar mais com as questões sociais. A pressão das surfistas negras também pode contribuir para modificar o cenário.  


* PROFESSOR DA ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO E AUTOR DO LIVRO 'RACISMO ESTRUTURAL - UMA PERSPECTIVA HISTÓRICO-CRÍTICA' 

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