Mulheres fazem pacto por medalha no judô em Pequim 2008

"Queremos nosso lugar à sombra. Não é ao sol, não", brinca a técnica da seleção Rosicléia Campos

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

09 de fevereiro de 2008 | 15h22

Ninguém discute a qualidade do judô brasileiro. Dentre as participações em mundiais, quatro títulos. Em torneios olímpicos, duas medalhas de ouro. Só que as grandes conquistas do País foram, até hoje, masculinas. As meninas ainda buscam o devido reconhecimento, e querem dar o passo definitivo na Olimpíada de Pequim. Por isso, não duvidem de 15 mulheres: elas fizeram um pacto e garantem que vão ganhar, na China, a primeira medalha olímpica do judô feminino. "Queremos nosso lugar à sombra. Não é ao sol, não", brinca a técnica Rosicléia Campos, responsável pelas 14 moças - titulares e reservas - da seleção brasileira. "Nós estamos focadas em um objetivo. Tenho plena certeza de que essa medalha vai sair", garante a meio-leve Érika Miranda, única brasileira que não precisará passar por seletiva - foi prata no Pan e 4.ª colocada no Mundial, no Rio, atendendo aos critérios da Confederação Brasileira de Judô para classificação automática. Embora o judô seja um esporte centenário, a participação de mulheres em competições é muito recente. Para eles, a modalidade tornou-se olímpica em Munique/1972. Para elas, 20 anos depois, em Barcelona. Embora o Brasil tenha levado equipe feminina para todos os Jogos, nunca conseguiu um pódio - os homens somam 12 medalhas (dois ouros com Aurélio Miguel, em 1988, e Rogério Sampaio, em 1992) e, desde Los Angeles/1984, não voltam para casa sem premiação. Diante de tamanho histórico (e desvantagem), Rosicléia não tem dúvidas: "Só ganharemos respeito se tivermos uma medalha." A primeira mudança veio na preparação. As meninas passaram quase dez dias, desde 1.º de fevereiro, treinando em Portugal com equipes de vários países. "Isso já foi uma grande conquista", conta Rosicléia. "Na última preparação das seleções, em 2006, os homens foram para a Europa; nós, para o Equador." A definição da equipe titular será em confrontos indiretos, em Copas do Mundo européias - quem tiver melhor resultado dentro do peso, ganha a vaga.  O próprio coordenador-técnico das seleções, Ney Wilson, reiterou a demanda de um tratamento mais igualitário. "Elas vieram me procurar e disseram que vão trazer uma medalha, seja bronze, prata ou ouro. Pediram o que achavam necessário e estamos contribuindo. Tenho certeza que, a partir de uma conquista, o judô feminino também começa a se transformar." Parte da transformação já começou. O Brasil tem, hoje, seis pesos garantidos em Pequim, um a mais do que levou nos outros Jogos. A equipe é renovada, mas conta com a experiência de Danielle Zangrando, Vânia Ishii e Edinanci Silva. Ainda está pendente a categoria pesado, que precisará dos resultados no Campeonato Pan-Americano, em abril, para ratificar a histórica classificação brasileira em todos os pesos.

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