Alexandre Schneider/EXEMPLUS/CPB
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Mulheres na natação e no badminton garantem ao Brasil o recorde de ouros e medalhas em Parapans

Cecília Araújo levou o País a 258 pódios e a caçula Mikaela Almeida, de 16 anos, faturou a vitória de número 110 da delegação em Lima

João Prata, enviado especial a Lima, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2019 | 19h16

As mulheres da delegação brasileira foram as premiadas nos Jogos de Lima por levar o Brasil ao recorde de medalhas e também ao número de ouros em parapan-americanos. Logo pela manhã a nadadora Cecília Araújo venceu os 100m livre classe S8 e deixou o País com 258 pódios na capital peruana.

A marca dourada não demorou a sair. A responsável por garantir ao Brasil 110 vitórias na competição foi curiosamente a caçula da delegação, Mikaela Almeida, do badminton, de apenas 16 anos. A jogadora venceu os quatro jogos que disputou da classe SU5 e ficou com o ouro. A vitória que garantiu a medalha foi em cima da peruana Laura Puntriano, por 2 sets a 0, com parciais de 21/3 e 21/4. 

Até então o melhor desempenho do Brasil em Parapans foi em Toronto-2015, com 257 pódios, sendo 109 ouros, 74 pratas e 74 bronzes. O número de conquistas em Lima ainda deve aumentar, já que as competições terminam apenas no domingo. Certo apenas é que esta já é a melhor campanha do País em um evento como este e que a hegemonia no quadro de medalhas está mantida. 

Conforme esperado, a delegação brasileira sobrou em Lima e atualmente tem o dobro de medalhas do que os Estados Unidos, o segundo colocado. Vale lembrar que os norte-americanos em muitas modalidades preservam os principais atletas, pois têm como prioridades as competições mundiais e a Paralimpíada.

AS PREMIADAS

Cecília, de 21 anos, é de Natal, Rio Grande do Norte, e nasceu com paralisia cerebral. Em Lima, ela subiu ao pódio por seis vezes. Ela já havia faturado três ouros (400m livre, 100m borboleta e 50m livre, uma prata (4x100m medley) e um bronze (100m costas). Em Toronto-2015, sua estreia em parapan, ela garantiu dois bronzes. 

"Felicidade imensa em saber disso. Estava presente em Toronto também e foi uma grande festa. Agora saber que com a minha medalha ultrapassou é muito legal. E vai vir mais por aí. Vamos para cima", disse.

Mikaela nasceu sem o braço direito e começou a praticar badminton com 13 anos nas aulas de educação física em Manaus, Amazonas. Logo após sua primeira conquista em Parapan ela ainda estava um pouco atordoada, como se a ficha pela conquista ainda não tivesse caído.

"Para começo de tudo nunca me imaginei em um evento como esse, imagina então conquistar a medalha de ouro. Fico muito feliz. Quando eu vi que ganhei comecei a chorar. Fico muito feliz e emocionada por ter conquistado isso. Às vezes não tenho noção, parece um sonho. Conquistei o recorde e agradeço a muitas pessoas que me apoiaram", comentou a atleta.

Os números até aqui confirmam o prognóstico do presidente do Comitê  Paralímpico Brasil, Mizael Conrado, que projetou antes do início da competição faturar mais de cem ouros. Vale lembrar que o Brasil trouxe para Lima uma delegação recorde de 337 atletas.

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