Wander Roberto/Divulgação
Wander Roberto/Divulgação

Mundiais evitam o verão e viram exemplo para Copa de 2022 no Catar

Várias competições importantes serão disputadas fora dos meses de junho e julho, em que a sensação térmica no emirado chega a 50°C

Vítor Marques - Enviado especial a Doha, O Estado de S. Paulo

23 de janeiro de 2015 | 06h50

O Mundial de Handebol que acontece em Doha e outras importantes competições de esportes olímpicos já confirmadas para a cidade até 2019 evitaram o verão e mostraram que o Catar pode sediar a Copa do Mundo de 2022 em outra época do ano. 

Os meses de junho e julho, com sensação térmica de até 50 graus, foram vetados para a competição de handebol, disputada de janeiro a 1º de fevereiro. Os Mundiais de Boxe (2015), de Ginástica (2018) e de Atletismo (2019) estão programados para os meses de setembro e outubro.

Só a Copa do Mundo de 2022 ainda está marcada para os meses de junho e julho, 'pior época' do ano segundo moradores de Doha, quando é insuportável sair à rua até mesmo durante o dia.

 

Segundo o Comitê da Copa de 2022, o Catar está preparado para sediar o Mundial de futebol no verão. A ideia é que os estádios e os centros de treinamento climatizados amenizem o calor. Nesses locais, segundo o Comitê, a temperatura seria de 26 graus.

Essa tecnologia já é usada, por exemplo, no estádio do Al Sadd desde 2008, para garantir uma sensação mais confortável, ao jogadores e ao público, nos jogos disputados no verão. Os ginásios usados no Mundial de Handebol também são climatizados. Na Copa, haveria até geradores de energia solar para garantir temperaturas amenas.

No entanto, o próprio Comitê da Copa diz que a Fifa pode alterar a data do Mundial. Declarações do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, indicam que a principal competição de futebol do mundo mudará de data para fugir do calor.

“Haverá Copa do Catar. A única coisa que está em aberto é a quando será realizada. É claro que não será realizada entre julho e julho, isso está claro para todos. Ou será no começo ou no final de 2022”, afirmou Valcke ao SporTV.

Segundo ele, até março a Fifa e o Comitê Local devem tomar uma decisão sobre alteração da data. Evidentemente, se a Copa mudar para janeiro ou dezembro, o calendário dos clubes europeus terá de ser adaptado.

No inverno, também faz calor em Doha, mas a temperatura máxima não vai além dos 28 graus. A média do mês é de 20 graus. Na primeira semana de competição no Mundial de Handebol, fez frio (12 graus) e até choveu, fato virou notícia nos jornais locais.

Para os jogadores da seleção brasileira de handebol, é melhor disputar uma competição de alto rendimento no Catar durante o início do ano. Segundo eles, no caso da Copa do Mundo, não há dúvidas que o inverno é a melhor opção.

"Já estive em meses mais quentes e a temperatura é alta, absurda. E no futebol, você joga ao ar livre, não é possível climatizar o estádio como num ginásio. Se mudar a dada da Copa, seria um ganho para os atletas", afirmou o ponta Borges.

Para o armador Zeba, o verão em Doha obriga os jogadores a mal saírem do hotel. "Você se sente desconfortável, você sai à noite e mesmo assim a temperatura é 40 graus, você anda 200, 300 metros e já transpira", afirmou.

*O repórter viajou ao Mundial a convite da Federação Internacional de Handebol.

Tudo o que sabemos sobre:
handebolMundial de handebol

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.