Mundial de Atletismo apresenta novas regras

Duas das novas regras da Associação Internacional de Federações de Atletismo (Iaaf) ganharam destaque no Mundial de Paris. As mudanças sobre a largada falsa - divulgada para o mundo todo com a polêmica do norte-americano John Drumond nos 100 metros - e o reconhecimento das marcas nas provas de rua, independente do percurso, como recordes mundiais foram ?apresentadas? ao público.Nesta quinta-feira, a Iaaf informou que vai pagar os prêmios individuais de US$ 100 mil para o equatoriano Jefferson Pérez e o polonês Robert Korzeniowski, numa das novidades causadas pelas mudanças nas regras. A entidade dá essa quantia em dinheiro apenas aos atletas que levam ouro e ainda batem o recorde mundial. Como os dois venceram na Marcha Atlética (de 20km e 50km), não teriam direito a esse montante pois o resultado não era considerado recorde mundial. Mas tudo mudou.Depois do Congresso Técnico realizado pouco antes do Mundial, já na França, a Iaaf passou a considerar que as melhores marcas feitas em provas de maratonas e marchas, independente do tipo de percurso - como pista ou rua, por exemplo - sejam reconhecidas como recordes mundiais. ?Anteriormente, eram tempos tidos como melhores marcas de cada prova", explicou o técnico brasileiro Carlos Alberto Cavalheiro.Assim, Jefferson Pérez, com um tempo de 1h17m21s para os 20km da marcha atlética, e Robert Korzeniowski, com 3h36m03s para os 50km da mesma prova, vão embolsar US$ 100 mil cada um - a Iaaf premia do primeiro, com US$ 60 mil (mais US$ 40 mil de bônus por recorde), ao oitavo colocado, que recebe US$ 4 mil, no Mundial. Por exemplo, o quinto lugar no salto triplo vale US$ 10 mil ao brasileiro Jadel Gregório. Tudo como forma de valorizar o Mundial.A nova regra para largada falsa também passou a ter destaque no Mundial. A primeira ´queimada´, detectada pelo sensor, é advertida com um cartão amarelo. E a segunda é punida com o cartão vermelho e a desclassificação do atleta que cometeu a infração, independente de quem seja. Antes, um participante só era desclassificado se ele ?queimasse? duas vezes.O mundo inteiro aprendeu essa mudança quando o velocista norte-americano John Drumond chegou a deitar na pista negando-se a aceitar a desqualificação. "A regra está em vigor desde janeiro de 2003, mas é a primeira vez que é aplicada em um Mundial", revelou o árbitro internacional Martinho Nobre dos Santos.O Conselho da Iaaf discutiu, inclusive, medidas para evitar o que John Drumond fez, tais como remover o bloco do competidor desqualificado imediatamente da linha de partida, informar o público no microfone sobre o que está acontecendo e impedir que os telões fiquem dando destaque a encenações como as do velocista norte-americano.Gandula motorizado - Coube a Martinho Nobre dos Santos, que é secretário-geral da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), obter informações para levar ao Brasil uma novidade que está fazendo sucesso em Paris: um carrinho de Fórmula 1 (vermelho, inclusive), com reboque, movido a gasolina e operado por controle remoto, que tem a função de devolver pesos, discos, martelos e dardos, atirados a grandes distâncias, nas provas dos lançamentos e arremessos."É a primeira vez que vejo o carrinho funcionar bem. No Mundial de Edmonton, em 2001, começaram usando o carrinho e acabaram com os árbitros correndo para devolver os equipamentos", afirmou Martinho, que deve adotar a novidade na organização de provas no Brasil.

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