GIUSEPPE CACACE|AFP
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Mundial de Atletismo terá novo rei dos 100m e sonho brasileiro

Com Usain Bolt fora de cena, competição vai eleger sucessor; Paulo André tem meta de correr abaixo de 10s

Paulo Favero , O Estado de S.Paulo

Atualizado

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Pela primeira vez desde 2005 sem Usain Bolt, o maior velocista da história, o Mundial de Atletismo começa nesta sexta-feira em Doha, no Catar, com os homens mais rápidos do mundo querendo ocupar o trono deixado pelo jamaicano. Nos 100m rasos, a prova mais nobre da modalidade, alguns competidores aparecem com um ligeiro favoritismo: Christian Coleman e Justin Gatlin, dos Estados Unidos, e o nigeriano Divine Oduduru.

Claro que todo velocista sonha em ser campeão mundial, mas o principal nome do Brasil tem também outra ambição. Paulo André espera conseguir correr pela primeira vez abaixo dos 10 segundos e ter a marca validada. O recorde brasileiro e sul-americano de Robson Caetano já dura mais de 30 anos – foi obtido em 22 de julho de 1988, na Cidade do México, quando ele marcou exatos 10 segundos nos 100m rasos. As provas serão mostradas no SporTV 2.

Paulo André, que nasceu dez anos depois desse feito, tem a segunda melhor marca da história no continente ao correr a distância em 10s02, em setembro do ano passado, em Bragança Paulista. Neste ano, foi melhor ainda durante o Troféu Brasil de Atletismo, no mesmo local, e cravou 9s90, mas como o vento estava +3,2 m/s, acima do permitido (+2 m/s), a marca não foi homologada.

"Melhorar é sempre bom e me motiva mais. Agora é repetir essa marca sem vento, quem sabe em Doha, para beliscar uma medalha para o Brasil. A gente quer correr dentro das normas e esse vento me frustrou um pouco. Queria ver como seria essa corrida sem o vento. Mas nada acontece por acaso e espero repetir essa corrida no Mundial", disse Paulo André.

Simulações que levam em consideração a velocidade do vento indicaram que ele iria bater a marca histórica se houvesse um vento permitido naquele momento. Ou seja, correria abaixo dos 10 segundos. "É um recorde continental que tem mais de 30 anos. Querendo ou não, fica aquela coisa no subconsciente de saber se vai dar. Consegui provar que é possível e estou muito feliz", continuou.

No Mundial, ele vai correr ao lado dos grandes nomes internacionais e isso pode até ‘acelerar’ sua prova. "Eu e meu técnico já sabemos que eu tenho essa corrida na perna há algum tempo. Já deixou de ser sonho, agora é realidade. Só provei que sou capaz. Vi em pesquisas que ia dar abaixo de 10 segundos se não tivesse o vento, agora é repetir para continuar correndo com um bom tempo", avisou.

Na prova mais nobre do atletismo, o norte-americano Christian Coleman surge como favorito, mas chega ao evento em Doha à sombra de uma polêmica. Ele deixou de aparecer em três testes antidoping no período de 12 meses e recebeu uma notificação da Usada, a Agência Antidoping dos Estados Unidos. Só que no início do mês as acusações foram retiradas e ele se tornou apto a disputar o Mundial.

Há dois anos, ele foi medalha de prata no evento, atrás apenas de seu compatriota Gatlin, que está com 37 anos e buscará outro ouro. Desde então, Coleman melhorou nas pistas e tem o melhor tempo do ano nos 100m rasos, com 9s81. Já o jovem nigeriano Divine Oduduru corre por fora e chega ao Mundial com a marca de 9s86.

Os velocistas também disputarão a prova de revezamento 4 x 100m e nela o Brasil espera novamente brilhar. O quarteto formado por Paulo André, Vitor Hugo dos Santos, Rodrigo Nascimento e Derick Souza espera repetir a ótima campanha do Mundial de Revezamentos, em Yokohama, no Japão, quando o Brasil ficou com o ouro à frente das grandes potências.

Na ocasião, Jorge Vides estava no grupo no lugar de Vitor Hugo. E o Brasil ganhou dos Estados Unidos por 2 centésimos ao marcar 38s05 – a Grã-Bretanha foi bronze, com 38s15. Agora, no Mundial, o time nacional tem chance de repetir o pódio em uma prova que qualquer erro na troca de bastão pode ser fatal.

 

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Estádio refrigerado minimiza efeitos do calor em Doha

Arena para 46 mil pessoas tem ar-condicionado que garante temperatura interna de 20ºC enquanto na rua termômetros chegam aos 40°C

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2019 | 04h30

A três anos de receber a Copa do Mundo de futebol, o Catar terá sua organização colocada à prova no Mundial de Atletismo, que começa nesta sexta-feira e vai até 6 de outubro. O país no Oriente Médio passa por tensões geopolíticas na região, com bloqueios diplomáticos de alguns países, e outra preocupação dos atletas é com o forte calor.

Em Doha, local da competição, os termômetros chegam aos 40°C durante o dia nesta época do ano e a umidade relativa do ar fica por volta de 85%. Ou seja, é um calor enorme, que será grande adversário para muitos competidores. Até por isso, provas como maratona e marcha atlética, que percorrem grandes distâncias, estão marcadas para começar após a meia-noite, quando a temperatura cai para 30°C.

O estádio Khalifa, inaugurado em 1976, foi remodelado e ganhou um moderno sistema de refrigeração que esfria o ambiente e possibilita um conforto maior para os atletas, mesmo não tendo cobertura. A capacidade da arena é para 46 mil pessoas e apesar dos boatos sobre a baixa venda de ingressos, os organizadores dizem que não há preocupação quanto à presença de público.

"Eles usaram todo esse dinheiro para viabilizar a competição e já pensando no futebol criaram uma maneira de resfriamento muito especial. Aqui estava 40°C ao ar livre e dentro do estádio não passava dos 20°C às 14 horas local. Construíram um túnel que leva os atletas da pista de aquecimento diretamente para o estádio, também totalmente ventilado", explicou Carlos Alberto Cavalheiro, técnico da seleção brasileira.

A modernização do Khalifa começou em 2014 e levou três anos para transformar o icônico estádio que será usado na Copa de 2022. Além do ar-condicionado, que segundo os operadores da arena consome 40% menos de energia que outros equipamentos equivalentes, o sistema de iluminação LED digital é outro ponto alto.

Reaberto em maio de 2017, conta ainda com espaços luxuosos, como 64 camarotes de tamanhos variados. Entre eles está um espaço VIP exclusivo para a família real do Catar. O estacionamento tem espaço para 6 mil automóveis e 2.300 ônibus. Existe ainda um museu, academia, lojas, restaurantes e espaços de convivência para os torcedores.

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Darlan Romani chega com chances de pódio no arremesso de peso

Brasileiro vive grande fase e foi ouro nos Jogos Pan-Americanos em Lima

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2019 | 04h31

A delegação brasileira no Mundial de Atletismo terá 44 competidores e entre eles alguns candidatos ao pódio no principal evento da modalidade no ano. Darlan Romani, do arremesso de peso, está em ótima fase e tem ótimas possibilidades de voltar para o Brasil com uma medalha no peito. Nos Jogos Pan-Americanos em Lima, ele foi ouro com uma boa marca.

Só para se ter uma ideia, em junho ele arremessou 22,61m, uma façanha que o coloca como a 10.ª melhor marca de todos os tempos. As oito marcas mais expressivas são anteriores a 1990 e o recorde mundial, obtido naquele ano pelo norte-americano Randy Barnes, é de 23,12m. No Mundial, Darlan vai tentar se aproximar mais desse recorde e brigará pelo ouro.

Quem também chega a Doha com boas chances são os brasileiros da marcha atlética. No masculino, Caio Bonfim quer repetir o pódio da edição anterior, quando foi bronze no Mundial de Londres, em 2017, na prova de 20 km. No feminino, Érica Sena também vai brigar pela medalha na mesma prova e espera ter um bom desempenho no Catar.

No salto com vara, a prova costuma ter equilíbrio e o Brasil chega com dois atletas que podem brigar por medalha. O primeiro é o campeão olímpico Thiago Braz, que apesar de resultados ruins recentes, consegue saltar alto. O outro é Augusto Dutra, que vive uma fase melhor e precisa se superar na competição para ir ao pódio.

As disputas serão bastante complicadas para os brasileiros, mas alguns nomes vão brigar para conseguir no mínimo chegar à final em suas provas: Paulo André (100m rasos), Alison Brendom dos Santos (400m com barreiras), Gabriel Constantino (110m com barreiras) e Almir Cunha dos Santos (salto triplo).

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Equipe russa estará novamente ausente do Mundial de Atletismo

Federação do país teve suspensão renovada por não atender exigências da Agência Mundial Antidoping

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2019 | 04h31

A Rússia perderá o Mundial de Atletismo pela segunda vez seguida, já que a Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) renovou a suspensão da federação russa na segunda-feira. A entidade confirmou a decisão quatro dias antes do início da competição no Catar depois de ouvir um relatório de sua força-tarefa a cargo dos esforços de refiliação da Rússia.

A Agência Mundial Antidoping (Wada) revelou que dados históricos fornecidos pela autoridade antidoping do país continham "inconsistências", o que também ameaça a participação russa na Olimpíada de Tóquio. "Estamos cientes das alegações de manipulação dos dados e que uma investigação está em andamento", disse Rune Andersen, chefe da força-tarefa da IAAF. "À luz disso, a força-tarefa recomendou que a Rusaf (federação atlética russa) não seja readmitida, e o conselho da IAAF concordou por unanimidade."

Alguns russos sem histórico de doping, como a saltadora Maria Lasitskene, a única atleta do país que detém um título mundial na atualidade, foram liberados para competir internacionalmente como esportistas neutros. Mas a bandeira russa não pode ser hasteada, nem seu hino tocado. O presidente da IAAF, Sebastian Coe, disse que, entre os membros do conselho, é "muito forte" o sentimento de que a suspensão deve ser mantida.

"Nenhum país é maior do que o Mundial", comentou o dirigente. "Não me surpreende nem remotamente que o conselho tenha endossado por unanimidade a recomendação mais forte que provavelmente tivemos até agora de que a federação russa continue suspensa. A responsabilidade de uma federação internacional é manter o equilíbrio nas competições", continuou.

A Rusaf foi suspensa em novembro de 2015, quando um relatório encomendado pela Wada encontrou indícios de doping generalizado no esporte.

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