Satiro Sodré/CBDA
João Gomes tem o segundo melhor tempo de 2017 nos 50m peito Satiro Sodré/CBDA

Mundial de Budapeste marca o recomeço da natação brasileira

Depois de período difícil, com prisão de dirigente e fracasso na Olimpíada do Rio, seleção começa nova fase

Marcio Dolzan/ RIO e Rafael Franco, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2017 | 07h00

A seleção brasileira de natação começa neste domingo uma nova era. Com menos da metade do número de atletas que disputou o Mundial de Kazan há dois anos, com apenas um terço da verba a que estava acostumado e menos de um ano após fracassar nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, o Brasil disputa o Mundial de Budapeste, na Hungria, querendo se reerguer. Para isso, o time formado por 16 atletas quer estar em pelo menos dez finais e deixar a piscina com boa impressão, no caminho da Olimpíada de Tóquio.

Sob nova diretoria após quase três décadas, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) enfrentou dificuldades para colocar a seleção no Mundial. Em abril, a Operação Águas Claras, da Polícia Federal, prendeu a antiga cúpula da entidade sob a acusação de desvios que chegariam a R$ 40 milhões. A ação fez os Correios anunciarem o rompimento do contrato de patrocínio, que já havia sido reduzido de R$ 18 milhões anuais para R$ 5,7 milhões no início do ano. A medida, porém, acabou sendo revista pelo parceiro mais tarde.

Passado o momento mais agudo da crise, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) tratou de injetar recursos e a CBDA movimentou patrocinadores. O orçamento menor, contudo, afetou a programação da equipe brasileira. A aclimatação para o Mundial, por exemplo, foi de apenas dois dias inteiros em Portugal.

“Eu gostaria que fosse um pouquinho mais”, admite Renato Cordani, diretor de natação da CBDA. “Numa aclimatação, o principal fator é o fuso horário. A natação de piscina talvez seja o esporte mais sensível a viagens, porque o atleta sente muito. Ele precisa chegar à piscina completamente descansado, porque são centésimos de segundo que definem a conquista de uma medalha.”

O pouco período para aclimatação, no entanto, não é visto como empecilho para um bom desempenho em Budapeste. “Esta seleção está mais forte do que a equipe olímpica. Aquela expectativa que foi criada e saiu na imprensa era irreal. A seleção brasileira olímpica de natação não tinha muitas chances de tirar medalha. Talvez o (Bruno) Fratus, que vinha bem, mas nas outras provas não tinha como”, afirma Cordani. “Neste Mundial estamos mais fortes e com mais chances de conquistar bons resultados.”

Publicamente, a CBDA não fixou meta de pódios para o Mundial de Budapeste. A entidade, contudo, planeja que os 16 atletas brasileiros estejam em pelo menos dez finais.

ATLETAS

O nadador João Gomes Júnior diz que a equipe está preparada e considera que a crise na entidade não afetou a preparação da equipe. “Não atrapalhou o rendimento porque o grupo se uniu bastante para não deixar este meio externo influenciar”, assegura. “Quando se trata de política, não tem como brigar. Era uma questão na qual não tínhamos como bater de frente com os dirigentes.”

Felipe Lima vê o novo cenário como promissor. “Estamos passando por um período de transição após a prisão dos ex-dirigentes da CBDA. Víamos o que estava acontecendo há muitos anos e não tínhamos como fazer nada contra eles. Se batêssemos de frente, não conseguiríamos ter apoio da federação”, conta. “Estamos mudando e isso ainda não refletiu para os resultados dos novos atletas, mas o caminho e as projeções são muito favoráveis para que a gente consiga fazer um bom planejamento até os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.”

Ele diz também que a relação com os dirigentes atuais é mais próxima. “A gente não tinha um contato direto com a federação, sempre a gente tinha de fazer contato com a CBDA por meio dos clubes. Agora, o atleta mesmo pode fazer e firmar esse relacionamento com o presidente, diretores”, ressalta Felipe.

Além de Felipe Lima e João Gomes Júnior, que irão disputar os 100m peito, o Brasil contará com Gabriel Santos (100m livre), Thiago Simon (200m peito), Leonardo de Deus (200m borboleta), Marcelo Chierighini (100m livre), Henrique Martins (100m borboleta), Guilherme Guido (100m costas), Brandonn Almeida (400m medley), Joanna Maranhão (400m medley), Bruno Fratus (50m livre), Manuella Lyrio (200m livre), Guilherme Costa (1500m livre), Etiene Medeiros (50m livre), Cesar Cielo (50m livre) e Nicholas Santos (50m borboleta).

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'Exemplo' para a seleção, Cielo quer voltar a brilhar no Mundial

Após ficar fora dos Jogos do Rio, nadador disputará duas provas em Budapeste

Marcio Dolzan / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2017 | 07h00

Maior nadador brasileiro de todos os tempos, Cesar Cielo está em Budapeste tentando voltar a brilhar. Depois de fracassar no último ciclo olímpico e não conseguir vaga nos Jogos do Rio-2016, o dono de três medalhas olímpicas vai em busca de pódio em duas provas: no revezamento e nos 50m livre, prova que o consagrou e da qual detém o recorde mundial.

Para conquistar uma medalha nos 50 metros, porém, o nadador terá que melhorar muito sua marca no ano. Cielo possui o oitavo melhor tempo na temporada – o que seria suficiente apenas para colocá-lo na final –, enquanto que outro brasileiro, Bruno Fratus, tem registrado marcas melhores. A presença de Cesar Cielo no Mundial, contudo, vai muito além do que ele pode conquistar dentro d’água.

“A gente fez uma reunião em Portugal (onde a seleção fez aclimatação ao longo da semana) e ao final pedimos se algum atleta queria acrescentar alguma coisa, e ele pediu a palavra. É uma liderança muito positiva para a equipe”, disse Renato Cordani, diretor de natação da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).

“As pessoas que conhecem o Cielo, que convivem com ele, dizem que ele voltou ao passado. Conta piadas, está bem à vontade. Não está mais amuado como estava. E ele, por ser o grande nome da natação brasileira, contagia” pontuou Cordani. “Ele que é tricampeão mundial (nos 50m), um exemplo. Os outros nadadores querem vencer como ele.”

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Seleção aposta alto em dupla do nado peito para subir ao pódio

João Gomes Junior e Felipe Lima competirão nas provas dos 50m e 100m em Budapeste

Rafael Franco, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2017 | 07h00

Dois dos 16 atletas do Brasil nas disputas de natação do Mundial de Esportes Aquáticos, João Gomes Junior e Felipe Lima, especialistas no nado peito, chegaram à Hungria como esperanças de medalhas. Ambos brilharam na edição passada do Troféu Maria Lenk, última seletiva para o Mundial, em maio.

João cravou o segundo melhor tempo do ano nos 50 metros peito com 26s83. Nesta temporada ele só está atrás do britânico Adam Peaty, que marcou 26s48 em 2017 e no ano passado faturou o ouro olímpico nos 100 metros peito nos Jogos do Rio. “Essa será a primeira competição de nível mundial com todos os atletas do próximo ciclo olímpico. É uma competição importantíssima para a gente começar um ciclo bem”, projetou João ao Estado.

Medalhista de bronze nos 100 metros peito no Mundial de Barcelona, em 2013, Felipe Lima espera repetir ao menos um pódio em Budapeste e coroar uma temporada na qual conquistou as melhores marcas pessoais de sua carreira nos 50m peito, de 27s00, e nos 100m do mesmo estilo (59s32), ambas no último Maria Lenk.

“Eu tive neste ano duas quebras de recordes pessoais, nos 50m e nos 100m peito. Desde 2013 eu não conseguia melhorar meus tempos. A minha expectativa é a melhor possível neste Mundial”, disse Felipe.

O nadador assegura que o fato de chegar ao Mundial após ter quebrado suas melhores marcas pessoais não coloca mais pressão na luta por medalhas. Ele completa seu 5.º Mundial de piscina longa após ter competido o primeiro em Melbourne, na Austrália, em 2007.

“Venho em uma evolução muito boa. Meu Mundial em Barcelona provou isso. Chego neste Mundial como cheguei para qualquer outro. A pressão é como em meu primeiro Mundial de piscina curta (em 2006, em Xangai). Fazendo os meus melhores tempos, vai vir sim um grande resultado para o Brasil”, projetou.

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