Mundial de Handebol feminino começa 3ª

Com a mesma base da equipe que conquistou em agosto o bicampeonato dos Jogos Pan-Americanos em São Domingos, a seleção brasileira feminina de handebol fará nesta terça-feira, na cidade de Split, seu jogo de estréia no Mundial da Croácia. Logo de cara, as brasileiras enfrentarão o time da casa ? às 15 horas de Brasília, com transmissão ao vivo da ESPN Brasil. Com o Brasil no Grupo A estão ainda as seleções da França (adversária de quarta-feira), Sérvia e Montenegro e Austrália. ?Sabíamos que não seria fácil, mas não fomos beneficiados no sorteio das chaves. No handebol, as equipes mais fortes são as européias e no nosso grupo estão três delas?, disse o técnico Alexandre Trevisan Schneider. A meta é superar o 12º lugar do Mundial da Itália/2001. Além de jogadoras experientes, como a armadora Chicória, a pivô Alessandra de Oliveira e a ponta Pará, Schneider conta com as juniores Ana Amorim e Millene Figueiredo. Com 75 gols em oito jogos, a armadora Millene, de 20 anos, foi a artilheira do Mundial Júnior disputado na Macedônia, em agosto. ?Sempre sonhei e acreditei que um dia pudesse jogar pela seleção principal. Só não imaginava que seria tão rápido?, disse Millene, do Hotel Scandic, na Dinamarca, onde a seleção participou de quatro amistosos antes de embarcar para a Croácia (perdeu dois, de 13 a 30 e de 17 a 30, e empatou dois, por 24 a 24 e 23 a 23). ?O resultado nos deu muito ânimo, porque a Dinamarca é uma das favoritas ao título do Mundial?, disse a armadora. O primeiro contato de Millene com o handebol foi aos 10 anos, nas aulas de Educação Física do Colégio Integrado, em Guarulhos, onde mora com os pais Manuel e Eduarda e os irmãos Valentim e Ivan. ?Jogava com os meninos e com meus irmãos na escola. Em 1995, viajei para Argentina, Suécia e Dinamarca, para acompanhar três equipes masculinas. Foi uma grande experiência, porque treinávamos o dia todo com equipes de lá. Muito do que aprendi no handebol foi naquela viagem.? Determinada, a jogadora se desdobra para cumprir todas as suas tarefas. De manhã, sai às 6 horas de Guarulhos, Zona Norte, e atravessa a cidade para chegar à faculdade, na Zona Oeste, onde cursa o terceiro ano de Administração de Empresas. À tarde vai para o Águias de Nova Gerte, clube de São Caetano, mais para a Zona Sul, onde treina cerca de três horas por dia. ?Chego em casa só à noite, morta, sem pique para fazer mais nada.? Mas, para Millene, o sacrifício é compensado pela alegria de jogar: ?Todo esse esforço vale a pena, mesmo sabendo que a ajuda de custo do clube mal dá para pagar a gasolina. Não vou jogar handebol a vida inteira, porque com o que a gente ganha não dá para viver.? Ser uma das caçulas da seleção não inibe Millene. ?Se fui convocada é porque tenho condições. Sinto que na seleção adulta vou evoluir muito.? Seu maior sonho é participar da Olimpíada de Atenas/2004. ?Sei que é difícil conseguir meu lugar na equipe, mas não vou desistir.? O Brasil garantiu a vaga para Atenas, com o título do Pan de São Domingos.

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