Mundial terá jogos sob sol escaldante

Fifa privilegia a questão comercial em detrimento do bem-estar dos atletas e marca várias partidas para as 13 horas

JAMIL CHADE, ENVIADO ESPECIAL / ZURIQUE , O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2012 | 03h06

A Fifa vai sacrificar a saúde dos jogadores e a qualidade do futebol para dar prioridade a seus acordos comerciais e de tevê na Copa de 2014. A entidade vai colocar várias seleções em campo, durante o Mundial, em horários em que a temperatura está mais quente em cidades como Fortaleza, Brasília, Salvador, Manaus, Natal e Recife. Já o Brasil foi favorecido e jogará quase sempre perto do final do dia.

O Comitê Executivo da Fifa aprovou ontem, em Zurique, a agenda de jogos do Mundial. Mas, apesar de garantir que levou em consideração a temperatura nas cidades-sede para definir os horários e informar que mais de 50 versões da programação foram realizadas, o resultado escancara o privilégio dado ao aspecto comercial do Mundial.

Os jogos marcados para o início da tarde brasileira (13 horas), serão transmitidos na Europa - o maior mercado do futebol no mundo - no começo da noite, uma mina de ouro para publicidade e transmissões. A Fifa já divulgou que os contratos de tevê para a Copa do Brasil serão os maiores da história, ainda que a programação deixe claro a decisão de privilegiar a Europa enquanto a Ásia terá de acompanhar as partidas de madrugada.

Além de fazer jogadores percorrerem todo o Brasil, eles enfrentarão climas pouco propícios. Em Brasília, cinco partidas começarão às 13 horas. A cidade tem clima seco e escolas chegam a recomendar que alunos não façam aulas de educação física em horários próximos ao almoço.

No Nordeste, o mesmo padrão é repetido. Em Fortaleza, um jogo começará às 13 horas; em Salvador, serão dois. Natal e Recife realizam um total três jogos nesse horário. Já em Manaus, mesmo com a umidade, nada impediu a Fifa de marcar dois jogos para as 15 horas.

A TV manda. A agenda coloca em questão o discurso que a Fifa vem mantendo nos últimos anos de dar atenção à questão médica para cuidar da saúde dos atletas. Também depõe contra a insistência da entidade em afirmar que projeta o Mundial com o melhor futebol possível tecnicamente.

Oficialmente, a Fifa insiste que considerou a distribuição equitativa das 32 seleções, períodos de descanso iguais para todos os selecionados em um mesmo grupo e logística de viagem, além da temperatura. Mas admite que "fatores do mercado global de TV" foram considerados.

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