Divulgação/Liverpool
Divulgação/Liverpool

Mundo do Esporte se une em campanha contra o racismo

Estrelas de várias modalidades protestam contra preconceito e aderem ao movimento 'Vidas Negras Importam'

Glauco de Pierri, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2020 | 19h25

O Esporte se uniu em protestos contra o racismo na campanha 'Black Lives Matter' (Vidas Negras Importam) após uma série de incidentes violentos e que provocaram mortes em casos diferentes nos últimos dias, com as forças policiais como agentes agressores. Nos Estados Unidos, uma malsucedida abordagem policial em Minneapolis terminou com a morte por sufocamento de George Floyd, de 46 anos. No Brasil, João Vitor da Rocha, de 18 anos, foi baleado durante uma entrega de cestas básicas e João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, foi atingido por um tiro de fuzil dentro de sua casa – os dois casos ocorreram no Rio.

Maior jogador de basquete da história e hexacampeão da NBA pelo Chicago Bulls, Michael Jordan, fez um desabafo no Twitter. "Estou profundamente triste, machucado e nervoso. Eu vejo e sinto a frustração e ira de todos. Eu fico do lado daqueles que se opõem ao racismo e violência contra pessoas de cor no nosso país. Basta".

Nos EUA, outros esportistas seguiram o mesmo caminho e protestaram, como as tenistas Serena Willians e Coco Gauff, o jogador de basquete do Boston Celtics, Jaylen Brown, e o dirigente da NFL, Roger Goodell.

Hexacampeão mundial de Fórmula 1, o piloto inglês Lewis Hamilton questionou a própria modalidade em seu Instagram. "Eu vejo aqueles de vocês que estão calados, algumas das maiores estrelas, ainda assim ficam calados em meio à injustiça. Nenhum sinal de ninguém da minha indústria que, claro, é um esporte dominado por brancos. Eu sou uma das únicas pessoas de cor lá e estou sozinho. Eu imaginei que, chegado este momento, vocês veriam por que isso acontece e falariam algo sobre isso, mas vocês não podem ficar ao nosso lado. Apenas saibam que eu sei quem vocês são e eu vejo vocês."

No futebol, o atacante Marcus Thuram não celebrou seus gols na vitória de 4 a 1 do Borussia Mönchengladbach em cima do Union Berlin. Ele ajoelhou-se e baixou a cabeça, mesmo gesto feito por Colin Kaepernick, ex-quarterback do San Francisco 49ers e que fazia um protesto solitário contra o racismo em 2016, em um jogo da pré-temporada da NFL. Ainda na Alemanha, o atacante inglês Jadon Nacho fez um dos gols do Borussia Dortmund na vitória por 6 a 1 sobre o Paderborn e exibiu uma camiseta com a frase “Justiça para George Floyd”. Ontem, o Liverpool também fez o seu protesto. No Instagram, o clube postou uma foto do perfil do meia Jordan Henderson com todos os jogadores ajoelhados em Anfield Road com a legenda: a união faz a força. O goleiro brasileiro Alisson Becker republicou a mensagem.

Apoio. No Brasil, entre os atletas que protestaram estão Vinicius Jr., que lembrou dos dois jovens mortos no Rio, Gabriel Jesus e Gabigol entre outros. Os clubes também aderiram à campanha. Palmeiras, Vasco, São Paulo, Santos, Avaí e Corinthians, entre outros, se manifestaram. "Já tivemos que mudar de nome para continuarmos existindo. Somos contra o racismo e qualquer prática preconceituosa que atente contra o direito à vida e à liberdade. Nascemos das diferenças e elas nos fazem mais fortes", escreveu o Palmeiras em suas redes sociais.

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