Munique inspira Marta para SP-2012

Realizar em oito anos um programa que demoraria 18, como fez Munique, na Alemanha. O exemplo dado pela prefeita Marta Suplicy resume o que move a pré-candidatura da cidade de São Paulo aos Jogos Olímpicos de 2012 ? a carta de intenção foi protocolada, nesta sexta-feira, no Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Um megaevento como a Olimpíada exige equipamentos e infra-estrutura urbana compatíveis, o que atrai investimentos dos Governos do Estado, Federal, da iniciativa privada e de organizações internacionais. A candidatura poderia ser a ?tábua de salvação? para São Paulo, que tem sua receita comprometida em 13% com o pagamento de dívidas. ?Seria uma forma de compensarmos a estagnação da cidade nos anos 90. É a chande de pleitear recursos. São Paulo pode mudar de cara. Se passarmos por todas as fases da candidatura teremos ganhos irreversíveis?, disse Marta. A audácia do projeto Marta chama de coragem. ?É um projeto corajoso, mas responsável.? Os números do orçamento dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, por exemplo, traduzem o tamanho da audácia ? US$ 4,5 bilhões em infra-estrutura (metrô, aeroporto, revitalização do centro histórico, equipamentos esportivos, etc) e US$ 1,9 bilhão na organização esportiva em si, total de US$ 6,4 bilhões ? R$ 23,8 bilhões, dois orçamentos inteiros da Prefeitura. ?Quando vi as cifras disse ?não temos condições?. Mas ao conhecer o processo concluímos que pode ser a chance de ouro para a cidade ser canalizadora de investimentos. Fiquei convencidíssima que é uma oportunidade única para suplantar as dificuldades da forma que precisamos com a dívida que temos.? Observou que Barcelona, na Espanha, por exemplo ? o modelo que inspirou São Paulo ?, não tinha um tostão para fazer a Vila Olímpica, em 1992. ?O setor privado fez e comercializou.? Como pré-candidato, São Paulo participará do que o secretário de Planejamento Urbano, Jorge Wilhein, chamou de corrida de obstáculos. O Comitê de Postulação terá até 15 de abril para responder ao questionário do COB, apresentar o dossiê da candidatura e pagar as taxas (são de US$ 100 mil para o Comitê Olímpico Internacional e de R$ 200 mil para o COB). A decisão interna, entre as candidaturas de São Paulo e Rio, será em julho ? são 28 os votos de entidades de esportes olímpicos e 6 votos de membros natos do COB. Se vencer o Rio, São Paulo apresenta a candidatura ao COI, de novo na condição de pré-candidata. Em maio e junho de 2004, a entidade anuncia as cidades que seguem até o fim da disputa ? a eleição será em julho de 2005, em Cingapura. A secretária de Esportes, Lazer e Recreação, Nádia Campeão, disse que o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, tem dado tratamento igual às duas cidades, e não acredita em nenhum tipo de preferência pelo Rio. A infra-estrutura, segundo Wilhein, está inserida no que o próprio plano diretor da cidade define ? seria preciso pelo menos duas linhas de metrô, uma de trem metropolitano, controle de enchentes, equipamentos esportivos compactados em uma área da cidade, etc. ?Os vazios urbanos que temos estão na zona leste, ao longo do Tietê, do Pinheiros e do Tamanduateí?, observa Wilhein, dizendo que os detalhes começam a ser definidos agora.

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