Muricy encara trânsito e falta de estrutura no Flu

Acostumado com clubes paulistas, técnico sente na pele um dos problemas do futebol do Rio: a falta de um Centro de Treinamento

Bruno Lousada / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2010 | 00h00

Muricy Ramalho teve um choque de realidade. Habituado à estrutura de São Paulo e Palmeiras, seus dois últimos clubes, o novo treinador do Fluminense viu de perto, ontem, o mal que atinge os grandes times do Rio: a falta de um centro de treinamento (CT) decente. Com o campo das Laranjeiras interditado e o CT de Xerém, na Baixada Fluminense, precisando de reforma, a equipe das Laranjeiras faz sua preparação para as quartas de final da Copa do Brasil, contra o Grêmio, quinta-feira, no Maracanã, longe de casa. Treina no modesto estádio da Portuguesa, equipe da Segunda Divisão do Campeonato Carioca, na Ilha do Governador (zona norte).

Inaugurado em 2 de outubro de 1965, o local, mais conhecido como estádio dos ventos uivantes, por causa da forte ventania que normalmente passa por lá, não tem vestiário apropriado e um gramado em perfeito estado. Depois de ser apresentado num hotel de luxo da zona sul, Muricy seguiu para o bairro da Ilha e se sentiu em São Paulo: enfrentou um congestionamento enorme, que o fez chegar atrasado, quase no fim da atividade.

Por causa desse imprevisto, ele só teve tempo de bater um papo rápido com os jogadores. Na coletiva realizada no hotel, Muricy revelou o que mais pesou para aceitar o convite do Fluminense. "Foi o pensamento da diretoria de fazer um clube forte e melhorar a estrutura. Isso me chamou a atenção", comentou.

O Fluminense está em fase final de aquisição de um centro de treinamento na Barra, que já pertenceu a Vasco e Flamengo. "Tudo é fundamental: local para treinamento, alimentação... É preciso dar as coisas para poder cobrar de um jogador. Tem que ter bom CT, salários em dia", ressaltou.

Conhecido por seu estilo rude e exigente, o tricampeão brasileiro pelo São Paulo esbanjou bom humor durante a entrevista. Não quis o rótulo de linha dura e não se mostrou preocupado com a alta rotatividade no comando da equipe (seis técnicos dispensados desde janeiro de 2009).

"Não preciso de contrato longo para ficar seguro", afirmou o treinador, que assinou compromisso até o fim do ano e vai ganhar cerca de R$ 350 mil por mês. Pela primeira vez à frente de um time do Rio, ele defendeu o futebol carioca.

"O último campeão brasileiro é do Rio (o Flamengo). Não sei até onde isso (decadência do futebol carioca) é verdade", lembrou o treinador.

NA CONTA

R$ 350

mil é o valor do salário do treinador até dezembro

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