Muricy intima a equipe: ''Vamos dar a vida pela Libertadores''

São Paulo sente a eliminação no Estadual e vê aumentar obrigação de se destacar na competição internacional

Amanda Romanelli e Fábio Hecico, O Estadao de S.Paulo

20 de abril de 2009 | 00h00

O São Paulo saiu de campo abatido após a derrota para o Corinthians. Mas acabou recebendo um presente de sua torcida. O time foi aplaudido e ovacionado pelos quase 40 mil são-paulinos que foram ao Morumbi. A comoção causada pelo apoio dos torcedores foi tanta que Muricy Ramalho deixou de lado uma de suas principais convicções: não falar com os jogadores logo depois de um revés. E fez um pedido, com ares de ordem, a seus comandados. "Vamos dar a vida pela Libertadores."Para Muricy, a intervenção fez-se necessária. "Não converso com os jogadores após o jogo porque estou de cabeça quente, e eles também. Mas, depois da atitude da torcida, tive de falar. O que eles fizeram foi brincadeira", disse. "Cobrei dos jogadores que, o que eles receberam hoje, vão ter de dar em troca."Ao contrário do que se poderia imaginar, o técnico são-paulino, conhecido por entrevistas curtas e nem sempre educadas após as derrotas, estava sereno. Mostrou que confia no seu time, apesar de um segundo tempo para ser esquecido. "Pelo que jogamos no primeiro tempo, mostramos que temos chance de vencer a Libertadores."A competição continental, portanto, voltou a ser bradada no Morumbi como "a prioridade". Foi assim no início do ano, quando o São Paulo havia recém rompido com a Federação Paulista de Futebol (FPF). O presidente Juvenal Juvêncio disse, até mesmo, que gostaria de colocar o time júnior para jogar o torneio. Mas o discurso caiu por terra assim que a semifinal com o Corinthians chegou. Vencer o rival e ir à decisão seria uma maneira de peitar a FPF. Muricy deixou claro que houve uma mudança de conduta no transcorrer dos meses. "Essa história de prioridade é muito legal antes do início da competição. Mas, quando começa, há a cobrança pela vitória."MATA-MATA É PROBLEMA?Com o resultado de ontem, o São Paulo conheceu sua pior sequência neste ano. São três jogos sem vencer - além das duas derrotas para o Corinthians, também perdeu para o Independiente Medellín (2 a 1). A reabilitação pode vir contra o América de Cali, na quarta-feira, no Morumbi.Contudo, chama a atenção o fracasso do time desde a mudança da fórmula de disputa do Estadual, em 2007. Com a adoção dos pontos corridos na fase de classificação e do mata-mata nas finais, o São Paulo sempre chegou às semifinais, mas foi eliminado nas três ocasiões. O atacante Borges irritou-se ao ser lembrado disso. "Não venha procurar problema. O São Paulo é o atual tricampeão brasileiro", respondeu, rispidamente. "Não tem essa de dificuldade no mata-mata. Respeite nosso time, porque ele é muito grande."E o dirigente Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, que havia provocado Ronaldo na semana passada, simplesmente desapareceu no fim do jogo de ontem.

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