Muricy: ''Não imaginava poder ir tão longe''

Técnico afirma que não passava por sua cabeça chegar tão perto do título nacional com o Flu quando recusou a seleção

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2010 | 00h00

Nem faz tanto tempo assim: em 23 de julho, logo após a Copa da África do Sul, Muricy Ramalho abriu mão do sonho de ser técnico da seleção para cumprir seu contrato com o Fluminense. Agora, a uma semana do que pode ser a conquista de seu 4.º título brasileiro - foram três com o São Paulo, entre 2006 e 2008 -, o treinador está próximo de ser recompensado por sua fidelidade.

Muricy admite que não esperava estar tão próximo do título, dadas as dificuldades enfrentadas por sua equipe no ano passado, quando o Fluminense só se livrou do rebaixamento à Série B na última rodada.

"No momento em que ocorreu aquele episódio, nunca pensei que eu estaria aqui, brigando pelo título. Temos que ser realistas: estou com um time que há três anos brigava para não cair. Estamos achando o caminho de novo", exaltou o treinador. Sabe, porém, que ainda que venha a glória esperada há 26 anos, seu futuro não está salvo. "Sei o que eu fiz, ainda que o futebol não mereça muito. Ele não é confiável. Se amanhã for mal, o Fluminense vai me mandar embora. Mas isso não interessa."

O Fluminense, junto com o seu treinador, ultrapassou as dificuldades - com a briga direta com o Corinthians -, para estar a apenas três pontos do título nacional. Aparentemente, não terá dificuldades para superar o rebaixado Guarani no Engenhão. Muricy, porém, faz questão de dizer que terá um confronto difícil.

Não faz essa avaliação com argumentos demagógicos. "Há muita coisa em jogo. O jogo vai ser difícil porque vamos enfrentar profissionais. É fim de ano, tem gente querendo renovar contato, querendo ir para outro clube", enumerou. "Acredito muito nisso, no ser humano."

Não descarta, também, as dificuldades que sua própria equipe enfrentará. "A ansiedade é muito grande, o Fluminense está há muito tempo sem brigar pelo título brasileiro." Muricy também lamenta não poder contar com um poderoso aliado, o Maracanã. "Teríamos a melhor média de público. Fomos prejudicados. Dois meses a mais ou a menos (para o início das obras), não fariam diferença."

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