Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Muricy Ramalho pode cair se o Santos não vencer o clássico com o Corinthians

Questionado por dirigentes, que cobram melhor futebol do time, treinador corre risco de demissão no jogo de domingo

SANHCES FILHO / SANTOS , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2013 | 02h06

SANTOS - Conselheiros não vinculados à situação e ex-dirigentes do Santos já falam abertamente que a permanência de Muricy Ramalho no comando do time vai depender do resultado do clássico de domingo contra o Corinthians no Morumbi. A pressão sobre os membros do Comitê Gestor para a mudança de técnico aumentou depois do futebol de baixa qualidade que o time apresentou na vitória por 2 a 1 contra o XV de Piracicaba. E a situação vai se tornar insustentável se o Santos não ganhar do arquirrival no domingo.

"A insatisfação com o trabalho do treinador vem desde a derrota contra o Barcelona na decisão do Mundial de Clubes (em 2011) e tem aumentado a cada jogo pela falta de padrão do time. Muricy mexeu errado, para escalar Edu Dracena e Marcos Assunção, que estavam parados há muito tempo", analisou o ex-vice-presidente de futebol José Paulo Fernandes. Para ele, com a saída de Neto e Renê Júnior a equipe só piorou. "Dracena e Assunção poderiam voltar aos poucos, entrando no segundo tempo e com o resultado garantido."

Outro ex-dirigente, José Rubens Marinho, acha que o Santos está sem comando. "Nada contra o homem, até porque Muricy é cara sério. Mas ele não consegue dar um padrão de jogo ao time nem com Neymar em campo." Sobre o risco de Muricy ser demitido se o Santos perder do Corinthians, Marino prefere não arriscar um palpite. "É difícil de se prever porque o LAOR (o presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro) é imprevisível. Mas, com certeza, o resultado negativo vai abalar bastante o ambiente." Ele sugere que o Comitê Gestor faça uma pesquisa de opinião entre conselheiros e sócios. "O descontentamento é muito grande", garantiu

A cúpula santista não atendeu ligações ontem para falar sobre a situação de Muricy. Há informações de que o assunto será discutido na reunião do Comitê Gestor hoje e que pessoas autorizadas pelo clube já teriam sondado Paulo Autuori, que retornou do Catar e não pretende mais trabalhar fora do País.

Um ponto que está sendo levado em conta é o alto valor que o clube teria de pagar se resolver demitir o treinador. Em agosto do ano passado, diante da possibilidade de Muricy ser chamado para assumir a seleção brasileira, Luis Alvaro afirmou que não abriria mão da multa rescisória.

"No novo contrato de Muricy com o Santos (vai até dezembro deste ano) há uma cláusula e é altíssima", avisou o presidente santista. O salário de Muricy seria superior a R$ 700 mil/mês.

Volta. A chuva forte de ontem à tarde em Santos voltou a atrapalhar a programação da comissão técnica, que havia programado um treino técnico em campo reduzido. Depois da folga da segunda-feira, o elenco retornou às atividades ontem às 16h, mas os atletas foram obrigados a ficar durante 1h na parte coberta do CT Rei Pelé até que a chuva diminuísse.

A novidade do treino físico foi Miralles, recuperado do edema na parte posterior da coxa esquerda. Muricy antecipou que, por questão de justiça, Miralles será o companheiro de Neymar no ataque no clássico contra o Corinthians, domingo, e que André, autor de dois gols na vitória diante do XV de Piracicaba, ficará no banco.

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