Muricy reforça a defesa, Santos volta a vencer e respira

Treinador apela para o esquema com 3 zagueiros que o consagrou, time bate a Ponte Preta e deixa zona de rebaixamento

PAULO GALDIERI, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2012 | 03h05

Para fazer o Santos jogar um pouco melhor no Campeonato Brasileiro antes da volta de Neymar e vencer a Ponte Preta na Vila Belmiro por 2 a 1, ontem, Muricy não precisou inventar nada demais, nem mesmo fazer grandes alterações na escalação do time. Ele promoveu um reposicionamento tático e também contou com um pouco de sorte no final.

O reposicionamento tático foi responsável pelo domínio santista durante todo o primeiro tempo. E a sorte pelo gol de Miralles, aos 41 da etapa final, quando a Ponte mandava no jogo.

O atacante argentino, contratado para ser o "novo Borges", mas que por enquanto não conseguiu nem convencer Muricy de que pode ser titular, marcou pela primeira vez com a camisa santista e ajudou a não deixar que o trabalho de Muricy de mudar taticamente o time fosse perdido.

O técnico santista resolveu apostar num esquema que o ajudou muito nos tempos de tricampeonato brasileiro com o São Paulo: 0 3-5-2. Com essa mexida tática o Santos pôde tirar o melhor de alguns jogadores que nesta fase de derrotas vinham cometendo falhas.

A alteração na forma de jogar sacrificou um pouco a dupla de volantes - sobretudo Arouca, acostumado a se arriscar no ataque e que teve de se conter mais na defesa para não expor o time -, mas desobrigou notórios maus marcadores de fazer a função defensiva e deu a eles mais espaço para jogar na frente, trocando passes e criando perigo. Dois exemplos disso são Léo e Felipe Anderson. Tanto o veterano lateral como o novato meia estavam mais soltos em campo tendo menos atribuições defensivas.

Léo, como nos velhos tempos em que ia à linha de fundo abastecer o ataque de Robinho e Diego, fez do lado esquerdo santista a melhor alternativa para criar chances de gol. Tudo porque o jogador não tinha que voltar até sua própria linha de fundo para acompanhar o lateral rival.

Pela faixa central do campo, foi Felipe Anderson quem atuou solto. O meia fez o que mais sabe: buscou a bola no meio de campo e a carregou, tentando dribles em direção ao gol da Ponte e buscando os atacantes, tentando passes e tabelas. Dessa maneira, o menino que tanta esperança carrega de seus professores nas categorias de base, pôde mostrar que se, não é um novo Neymar, ao menos pode ser bastante útil.

Foi por causa dessa liberdade extra para os alas que o Santos chegou ao seu gol. Bruno Peres subiu ao ataque, tabelou com o garoto Victor Andrade e mandou a bola rasteira, no fim do primeiro tempo, quando o Santos jogou melhor que a Ponte.

Na etapa final, porém, a equipe de Muricy não foi capaz de manter o mesmo nível de atuação e passou a maior parte do tempo rebatendo bolas para a frente e tentando se defender do ataque da Ponte. Essa mudança no jogo teve mais a ver com os méritos da equipe campineira do que com falhas santistas. A Ponte adiantou sua marcação e passou a bloquear melhor os avanços pelas laterais santistas.

Aranha conseguiu evitar o empate quase até o final do jogo. Quase. Mesmo em tarde bastante inspirada, o goleiro não conseguiu impedir que Roger fizesse o gol de empate para a Ponte.

O gol de Miralles no fim da partida salvou o Santos no jogo e evitou aumento da crise na Vila.

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