Muricy, sem modéstia: 300 jogos e ambição em dia

Técnico são-paulino é exemplo de que vale a pena apostar no longo prazo

Giuliander Carpes, O Estadao de S.Paulo

26 de julho de 2008 | 00h00

Muricy Ramalho é o melhor exemplo de que um planejamento a longo prazo e a aposta nos profissionais adequados levam ao sucesso. No futebol brasileiro, nenhum treinador está há mais tempo no cargo do que ele - dois anos e sete meses. "Isso mostra que o trabalho é bem feito. Em todo o lugar em que vou é assim", afirma, sem modéstia. Contra a Portuguesa, às 18h20, no Morumbi, completará 300 jogos no comando do São Paulo. A história como técnico do Tricolor começou em 1994 - antes, entre 1973 e 78, atuou no meio-de-campo do time em 177 jogos e marcou 26 gols. Encerrou a carreira de jogador no Puebla, do México, clube que passou a treinar em 1993. No ano seguinte, em busca de experiência, foi ser auxiliar do lendário Telê Santana, que recém havia levado os são-paulinos ao bicampeonato mundial. "O Telê representa muito pra mim. Até peguei dele algumas manias", brinca, sem dizer quais para não entregar o ouro.Muricy guarda com muito carinho aquela passagem pelo clube. Era um auxiliar que virava treinador quando Telê estava de férias ou afastado por problemas de saúde. Assim levou a equipe ao título da Copa Conmebol (hoje Copa Sul-Americana) de 1994, quando venceu o Peñarol, do Uruguai, por 6 a 1, no Morumbi. "Aquilo foi simplesmente um show", lembra. "Nunca vou conseguir me esquecer."Naquela equipe, surgiram jogadores como Caio, Catê e Denilson. "Eram meninos e se tornaram grandes nomes do futebol", elogia. Um destes "craques" era Rogério Ceni, atual capitão do time. Com a ajuda do goleiro, espera conseguir a classificação para uma competição que ainda não conquistou, mas o jogador sim: a Taça Libertadores da América. "Ela já nos escapou duas vezes", lamenta. "Este é o foco. Não vou desistir." Para chegar lá, o primeiro passo é chegar entre os quatro primeiros no Brasileiro. Não é difícil acreditar que consiga.É o treinador que mais somou pontos no campeonato desde 2003, quando entrou em vigor a fórmula dos pontos corridos. Mas a tarefa passa, obrigatoriamente, por uma vitória contra a Portuguesa. "Precisamos vencer. O ideal é não perdermos nenhum ponto no Morumbi", sustenta.SEM RIVALIDADEO treinador não vê dificuldade maior no jogo por se tratar de um clássico. Aliás, sequer vê rivalidade entre as duas equipes. "Não existe isso. A Portuguesa é um grande time de São Paulo, mas não existe uma história de rivalidade. É uma partida como as outras, uma partida muito difícil."A maior dor de cabeça do comandante são-paulino está exatamente no seu setor preferido. "A nossa defesa é o que de melhor tivemos nestes 300 jogos", destaca. Porém, sem Miranda, Alex Silva e Hernanes, a segurança defensiva acabou. No jogo contra o Internacional (derrota por 2 a 0), na quarta-feira, o zagueiro Juninho falhou de forma bisonha ao dominar a bola em lance que resultou no primeiro gol. Sem falar no perigo que os colorados levaram nos contra-ataques. "São coisas que temos que corrigir logo", reconhece André Dias, o único titular à disposição. Por isso, a dúvida: dois ou três zagueiros? "Sem tempo para treinar, esta será uma surpresa para a hora do jogo", despista Muricy. A tendência é a escalação do garoto Jean como volante e de Zé Luís atrás.

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