Murray luta, bate Djokovic e fica com o US Open

Com a suada vitória sobre o sérvio, após 4h54 de jogo, escocês conquista pela primeira vez um torneio de Grand Slam

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2012 | 03h04

Foram quatro anos de espera, com quatro tentativas frustradas, para que Andy Murray conseguisse, enfim, levantar um troféu de torneio de Grand Slam. Campeão olímpico em Londres há pouco mais de um mês, o escocês entrou para uma galeria restrita do tênis ao derrotar o sérvio Novak Djokovic em uma batalha de 4h54 no Estádio Arthur Ashe, a quadra principal do US Open. Após vencer os dois primeiros sets, Murray viu uma grande reação do rival, mas ganhou por 3 sets a 2, com parciais de 7/6 (10/12), 7/5, 2/6, 3/6 e 6/2.

O inédito título não é só importante para Murray. O troféu também encerrou um incômodo jejum. Há 76 anos, um britânico não vencia um dos maiores torneios do tênis - e tinha sido justamente em Nova York, em 1936, que Fred Perry havia conquistado o último título para a Grã-Bretanha. Do momento histórico, foram testemunhas escoceses ilustres como o ator Sean Connery e Alex Ferguson, técnico do Manchester United.

Ao vencer a partida com um erro de Djokovic, o escocês de 25 anos ficou sem reação. Quase incrédulo, olhava para cima, colocava as mãos no rosto e, mancando, seguiu até a arquibancada onde estavam sua mãe e seu técnico, o ex-número 1 Ivan Lendl, campeão de oito Grand Slams.

"Acho que ele quase sorriu", brincou Murray sobre a sisuda postura do técnico, a quem contratou em dezembro para ajudá-lo a vencer um Grand Slam. Afinal, Lendl, quando jogador, também perdeu suas quatro primeiras finais de majors. A primeira vitória veio em 1984, no Torneio de Roland Garros.

Murray perdeu sua primeira final em 2008, para Roger Federer, no mesmo US Open. Depois, foi vencido duas vezes no Aberto da Austrália, em 2010 e 2011. Neste ano, veio a mais dolorosa das derrotas. Chegou à final do Torneio de Wimbledon e tinha a chance de vencer seu primeiro Slam diante da torcida britânica. Mas perdeu para Federer, que conquistou o 7.º título na grama inglesa e retomou a liderança do ranking mundial.

As lágrimas do jovem escocês em quadra foram compartilhadas com a da torcida, que voltou a se emocionar um mês depois. Novamente em Wimbledon, novamente diante de Federer, Murray iniciou uma reviravolta. Conquistou o ouro olímpico em 5 de agosto, o maior título de sua carreira. Até ontem.

Para vencer o atual campeão, Murray travou uma batalha física e psicológica. Logo no primeiro set, enfrentou 1h27 para fazer 1 a 0. Só o tie-break durou quase meia hora, e o escocês precisou de seis chances para fechar o set. Na parcial seguinte, chegou a abrir 4 a 0, mas Djokovic reagiu e empatou o set por 5 a 5. Murray se impôs e fechou em 7/5. Depois, perdeu dois sets para decidir a vida na 5.ª parcial.

Djokovic não conseguiu segurar a partida na técnica - estava exausto. Antes do match point, pediu atendimento médico. E viu que já tinha perdido, pelo menos, o apoio do público. A torcida vaiava o sérvio, que recebia massagens na coxa direita. "Quero parabenizar o Andy por seu primeiro Grand Slam. Ele definitivamente mereceu. Foi uma partida incrível", reconheceu Djokovic.

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