Murray, o orgulho britânico

Escocês ganha o Masters de Madri e mais prestígio ainda com a torcida

Chiquinho Leite Moreira, O Estadao de S.Paulo

20 de outubro de 2008 | 00h00

Para um país que conta com um dos mais tradicionais, importantes e venerados torneios de tênis do mundo, como o de Wimbledon, faltava apenas um jogador para quem torcer. Agora, Andy Murray transforma-se em orgulho britânico. Num fim de semana em que o piloto Lewis Hamilton acentuou seu favoritismo para conquistar o título de campeão mundial de Fórmula 1, o tenista escocês, apaixonado por futebol, fez história. Ao ganhar o título do Masters Series de Madri, com vitória sobre o francês Gilles Simon por 6/4 e 7/6 (8/6), transformou-se no primeiro jogador da Grã-Bretanha a vencer quatro campeonatos numa mesma temporada e terminar o ano entre os quatro melhores do mundo. O último a igualar essa façanha foi Fred Perry em 1936, que se transformou numa verdadeira lenda do esporte inglês.Murray é escocês e, como tal, não gosta de ser confundido com inglês, mas carrega as corres do Reino Unido. Por isso, ganhou o respeito de todos os britânicos e é destaque na mídia londrina, que festeja a chegada de um jogador capaz de, quem sabe, ganhar Wimbledon. Os britânicos são tão obcecados para ter um tenista que há pouco tempo "importaram" Greg Rusedeski, que nascido no Canadá naturalizou-se inglês tamanha a facilidade encontrada para ter patrocinadores e apoio da federação. Tim Henman, um puro sangue, jamais ganhou Wimbledon, apesar de ser um bom jogador. Murray tem tudo para ser o homem. É alto, tem 1,91 metro e saca com média superior a 200 km/h, uma virtude das mais efetivas para as quadras de grama de Wimbledon.Longe ainda de entrar na euforia britânica, Andy Murray em Madri mostrou humildade e desculpou-se por não falar espanhol, embora tenha vivido quase dois anos na Espanha. Elogiou seu adversário, o francês Simon, lembrou a frustração da torcida que gostaria de ver Rafael Nadal (perdeu para Simon, mas garantiu a lidernaça no ranking até o fim do ano) e Roger Federer (caiu diante de Murray) na final e confessou que no próximo ano poderá ter maiores dificuldades para defender o título, por preferir as quadras sintéticas - como no torneio desta semana - ao saibro a ser usado no futuro. É que em 2009, o Masters de Madri ganha um novo status. Será jogado na encantadora Caixa Mágica, um complexo recém-construído, em quadras de saibro e numa data das mais charmosas. Fará parte da temporada européia da primavera, em torneio que antecede Roland Garros, em Paris.

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