Museu do Índio vai virar memorial olímpico no Rio de Janeiro

RIO - Dedicado à causa indígena desde 1865, o prédio do antigo Museu do Índio, ao lado do estádio do Maracanã, na zona norte do Rio, será transformado em um memorial olímpico. O anúncio foi feito na quarta-feira. 20, pelo governador Sérgio Cabral (PMDB) durante um evento do Comitê Olímpico Internacional (COI), na capital fluminense.

Tiago Rogero, Agência Estado

20 de fevereiro de 2013 | 13h52

 

O espaço é alvo de uma disputa judicial entre o governo do Rio e cerca de 20 famílias indígenas que ocupam o prédio desde 2006 e querem transformar o local em um centro cultural. De acordo com Cabral, o local será restaurado pela empresa vencedora da licitação para administrar o estádio, atualmente em reformas para a Copa das Confederações, em junho. As obras no antigo museu começariam logo após a competição. O edital deve ser lançado na próxima segunda-feira, após sucessivos adiamentos.

 

"A concessionária vencedora do Maracanã se responsabilizará pelo restauro, recuperação e preparo do prédio, e todo o conteúdo e toda a gestão ficará sob responsabilidade do Comitê Olímpico Brasileiro (COB)", afirmou Cabral, após o encontro com dirigentes do Comitê. Segundo ele, a ideia partiu do presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman.

 

A previsão inicial do governador era demolir o espaço para construir um estacionamento e um centro de compras. Em janeiro, o Batalhão de Choque da Polícia Militar chegou a cercar o prédio para realizar a desocupação do imóvel. O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União questionaram na Justiça a ação. Após a polêmica, no fim do mês o governador desistiu da demolição, que contrariava pareceres técnicos dos órgãos municipal, estadual e federal de proteção ao patrimônio.

 

Após a nova decisão, o defensor público da União, Daniel Macedo, afirmou que o governador tem atitudes "contraditórias" e que poderá iniciar nova ação contra a alteração de finalidade do museu. "O tombamento acontece com uma finalidade específica. Nesse caso, em função da história do prédio ligada à causa indígena. Se verificarmos que há desvio de finalidade do tombamento, entraremos com nova ação", garantiu o defensor.

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