Na Caxemira, partidas se tornam batalhas políticas

Na Caxemira, partidas se tornam batalhas políticas

Em uma das regiões mais violentas do mundo, o futebol na Caxemira é refém da divisão política. Para a população local, o esporte é visto como instrumento de promoção da independência em relação ao governo indiano. Há décadas a prática esportiva tem sido usada com essa finalidade.

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

O futebol chegou à região em 1891, com missionários britânicos. Equipes foram formadas nas fábricas, contando com jogadores locais e alguns súditos da rainha.

As partidas entre times da Caxemira e do restante da Índia logo se transformaram em batalhas políticas. Em 1941, o time local bateu os indianos de Jalandhar por 7 a 0. O resultado foi inusitado: três dias de feriado.

Ainda durante o império britânico, a Caxemira esteve sob a influência da dinastia hindu dos Dogras. Quando um time local venceu a equipe formada por policiais da dinastia, a população comemorou como se fosse a vitória em uma guerra contra invasores. A festa, porém, não teve consequências positivas. Mohammad Abdullah, que mais tarde seria o líder da revolta contra os hindus, contra-atacou com mais violência.

Em 2007, um jogo terminou em conflito. O time da Caxemira havia chegado às quartas de final do torneio indiano, o que não ocorria fazia 20 anos. A equipe de Punjab, porém, ganhou a partida na casa do rival. Na comemoração do gol, o atacante indiano provocou os torcedores da Caxemira, o que deu início à confusão. O campo foi invadido e os jogadores tiveram de fugir. Os torcedores atacaram a polícia e os soldados, bradando pedidos de independência da Caxemira. Ao final, 40 pessoas ficaram feridas e dezenas foram presas. O conflito foi usado como motivação para um pedido de independência.

Histórico. A Índia acusa o Paquistão de armar os insurgentes da Caxemira. O conflito na região, localizada ao norte do país, começou com a independência indiana, nos anos 40. Desde então, os dois países já entraram em guerra em três ocasiões pelo controle do território. Em 1962, a Índia também enfrentou a China pelo mesmo motivo.

A Índia insiste que a região pertence ao país mas, hoje, controla só 43% do território. O Paquistão rejeita a tese indiana, tem 37% da região, mas considera a Caxemira área em disputa. Para uma definição final, portanto, uma consulta à população local deveria ser feita. Mas a Índia alega que essa posição é a prova de como Islamabad estaria armando os rebeldes locais. A China ainda tem sob seu controle 20% do território.

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