David Cerny/Reuters
David Cerny/Reuters

Na Coreia do Sul, um Mundial que pode surpreender

Estrelas como Yelena Isinbayeva e até Usain Bolt não apresentam boa forma e podem abrir espaço para zebras

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2011 | 00h00

O Mundial de Daegu começa em menos de uma semana - prova inaugural, a maratona feminina será realizada a partir das 21 horas (de Brasília) da sexta-feira. Mas, em relação à edição passada, em Berlim, há uma delicada diferença. Os favoritos chegam a Coreia do Sul ainda como favoritos - mas nem tanto assim.

Nomes como Usain Bolt e Yelena Isinbayeva ainda são capazes de arrastar multidões para o atletismo, mas nesta temporada não apresentam boa forma.

O velocista tem enfrentado problemas nos 100 m, prova da qual é recordista mundial desde 2008, mas que, neste ano, tem apenas o 6.º tempo. Nos 200 m, é o líder do ranking - fez 19s86, mas está longe de seu recorde mundial (19s19).

O jamaicano tem sido sincero: afirma que sua prioridade é vencer, não bater recordes mundiais. Bolt passou boa parte de 2010 machucado. Cenas como a da final dos 100 m, em que atravessou a linha de chegada olhando para os lados (e terminou em 9s58!) não virão - afinal, seu melhor tempo é de 9s88.

Seu compatriota, Asafa Powell, lidera o ranking, com 9s78, e não terá muitos rivais. Logo atrás estão Tyson Gay (9s79), Steve Mullings (9s80) e Mike Rogers (9s85). O primeiro está machucado. Os outros, pegos no doping, não vão ao torneio. São ausências que vão impactar, especialmente, nos revezamentos 4 x 100 m de EUA e Jamaica.

A dificuldade se repete com outros campeões. Shelly-Ann Fraser, ouro nos 100 m de Berlim, não está nem entre as 10 melhores do ano. Allyson Felix, dos EUA, que ganhou os 200 m, também não faz boa temporada.

No salto triplo, a cubana Yargeris Savigne está pressionada pela colombiana Caterine Ibarguen, com a qual divide a liderança do ranking de 2011. Na mesma prova entre os homens, o britânico Phillips Idowu tem 17,59 m, mas pode ser beneficiado pela ausência do francês Teddy Thamgo na busca pelo bi. Com a marca de 17,91m, era favoritíssimo ao ouro, mas se machucou.

No salto com vara, equilíbrio. As reais condições de Yelena Isinbayeva, antes imbatível no salto com vara, são uma incógnita. Sua trajetória de decadência começou justamente em Berlim, quando ela nem sequer completou um salto na final, vencida pela polonesa Anna Rogoswka.

Após um ano sabático, a russa voltou a competir em 2011, trocou de técnico e, em apenas duas provas ao ar livre, não conseguiu passar dos 4,76 m - muito pouco para a única mulher do mundo que superou os 5 metros (seu recorde é 5,06 m).

Rival de Isinbayeva, Fabiana Murer, a única atleta do País a participar ativamente do circuito mundial, confirma que a temporada do atletismo anda mesmo um tanto esquisita.

"Tivemos uns resultados bem estranhos. Ninguém conseguiu saltar na Europa acima dos 4,80 m", avalia a brasileira, também longe de sua melhor marca: tem 4,71 m, ante 4,85 m de 2010. A líder do ano é a americana Jennifer Suhr, com 4,91 m.

Elson Miranda, técnico de Fabiana, também faz sua avaliação. "É muito difícil manter o nível altíssimo de atletas como estes." Mas aposta que, em competições como o Mundial, currículo e experiência fazem a diferença. E exemplifica: "Vi o Steve Hooker ganhar um ouro com apenas dois saltos."

O australiano do salto com vara é outro campeão mundial em má fase. Depois de nove meses longe das pistas, por causa de contusões, só competiu uma vez em 2011. Fez 5,60 m, longe dos 5,90 m do francês Renaud Lavillenie, melhor do ano.

Certo é que, em pelo menos três provas, Daegu verá novos campeões mundiais. O sul-africano Mbulaeni Muladzi, dos 800 m, está machucado e não defenderá seu título. A alemã Steffi Nerius, do lançamento do dardo, aposentou-se. E a espanhola Marta Domínguez, campeã dos 3 mil metros com obstáculos, estava grávida e deu à luz em maio.

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