Eric Brinkhorst/EFE
Eric Brinkhorst/EFE

Na edição mais acirrada da história, barco chinês conquista Volvo Ocean Race

Nos quilômetros finais, veleiro Dongfeng Race começou a abrir distância e chegada na última boia do percurso foi emocionante

João Prata, Estadão Conteúdo

24 Junho 2018 | 13h18

Na disputa mais acirrada dos 45 anos de história da Volvo Ocean Race, o veleiro chinês Dongfeng Race venceu neste domingo a etapa de Haia, na Holanda, e conquistou o título da temporada 2017/2018 da regata de volta ao mundo.

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Pela primeira vez, os veleiros chegaram à última etapa sem um campeão antecipado. O barco espanhol da Mapfre e os holandeses do Team Brunel também tinham chances de título. A embarcação chinesa, no entanto, optou por uma estratégia diferente dos principais concorrentes e levou a melhor.

O Dongfeng navegou na reta final mais próximo da costa holandesa, enquanto Mapfre e Team Brunel foram para mais longe buscar correntes de vento mais fortes. De início, logo após deixarem o porto de Gotemburgo, na Suécia, espanhóis e holandeses levaram vantagem e ficaram à frente por quase toda a regata.

Nos quilômetros finais, os chineses passaram a tirar a distância e a chegada na última boia do percurso foi emocionante. De um lado vinham Mapfre e Team Brunel, além da equipe holandesa, Akzonobel, da brasileira Martine Grael. Do outro, isolado, os chineses foram ganhando velocidade e cruzaram na frente.

Nos metros finais, os veleiros da Volvo ganharam a companhia de centenas de torcedores. Eram mais de 200 lanchas de tamanhos dos mais variados, além de outros veleiros, jetskis e até kite surfistas que circundavam as embarcações da competição. Na praia, milhares de pessoas lotavam a areia escura da praia holandesa.

Do barco, a tripulação do Dongfeng passou a se cumprimentar e a festejar antes mesmo de cruzar a linha de chegada. Curiosamente, apesar de a equipe carregar a bandeira da China por conta de seu patrocinador, apenas dois dos 14 integrantes do barco são chineses. O capitão do veleiro é o francês Charles Caudrelier, que disputa pela terceira vez a Volvo. Também há outros seis franceses, três australianos, um suíço e um holandês.

"No final do dia de ontem (sábado) não estávamos em uma boa posição. Mas acreditamos na nossa estratégia, seguimos na nossa rota e no final deu certo. Na minha cabeça só pensava que não poderia decepcionar todos do barco. Pensava: 'não posso perder, não posso perder'. E vencemos", disse Caudrelier.

A segunda colocação da etapa de Haia ficou com o Akzonobel e o veleiro da Mapfre completou o pódio. O Team Brunel terminou em quarto lugar. O quinto lugar ficou com o barco da ONU, Turn The Tide On Plastic, à frente dos chineses do Sun Hung Kai/Scallywag. O barco norte-americano/dinamarquês Vestas 11TH Hour Racing terminou em sétimo e último lugar.

Na classificação final, o Dongfeng chegou ao título ao somar 72 pontos. Em segundo lugar ficou a Mapfre, com 70, e o Team Brunel garantiu a terceira posição com 69. A equipe da brasileira Martine Grael terminou em quarto, com 59.

PRÓXIMA EDIÇÃO EM 2021

A competição, que acontece a cada três anos, começou em 11 de outubro do ano passado, quando os barcos deixaram o porto de Alicante, na Espanha. De lá para cá, velejaram cerca de 45 mil milhas náuticas (81 mil quilômetros), passaram por dez países, entre eles o Brasil, em Itajaí, no litoral de Santa Catarina.

A temporada 2017/2018 da Volvo Ocean Race entra para a história como a mais disputada nos 45 anos de história. Outro acontecimento marcante na atual edição foi a morte do tripulante britânico John Fisher, da equipe chinesa Sun Hung Kai/Scallywag. Durante a etapa entre Auckland, na Nova Zelândia, e o Brasil, considerada a mais difícil de toda a temporada, ele desapareceu no mar.

A próxima edição foi confirmada para começar em 2021 e contará com um novo dono. A Volvo deixará o comando da disputa após 20 anos para a entrada do Atlant Ocean Racing Spain, de Richard Brisius, Johan Salén e Jan Litborn, executivos que já estão nos bastidores do eventos há quase 30 anos.

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