Felipe Rau/AE
Felipe Rau/AE

Na festa, Rogério beija símbolo e agradece torcida

Goleiro faz declaração de amor ao torcedor, lembra do início da carreira e diz que maior presente foi a vitória sobre Atlético-MG

Moreno Bastos, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2011 | 00h00

Rogério Ceni cumpriu sua palavra ao entrar na festa pelos mil jogos com a camisa do São Paulo apenas quando o árbitro Péricles Bassols Cortez apitou o final da partida em que o time bateu o Atlético-MG, por 2 a 1, no Morumbi.

Mas assim que o jogo que devolveu ao São Paulo a ponta no Campeonato Brasileiro foi encerrado, o capitão não poupou emoção e fez questão de dividir as atenções com outros personagens da história de 21 anos de clube.

Primeiro, reuniu os jogadores para aplaudir os 60.514 mil torcedores, que bateram o recorde de público do Nacional e permaneceram no estádio para festejar mesmo após o apito final.

"Isso aqui é minha vida. Amo vocês", declarou o goleiro, pouco depois de repetir o gesto que começa a virar tradição: o de beijar o escudo são-paulino, localizado ao lado do gramado. "Uma festa bonita como essa, tinha de existir mais. A graça do espetáculo é o público."

Cercado por jornalistas e fotógrafos, Rogério Ceni retornou até o dia 7 de setembro de 1990 para lembrar de seu pai, Eurydes Ceni, de 73 anos.

"Eu só tenho de agradecer. Tenho a alegria de poder lembrar cada um dos mil jogos que disputei. Eu vivo cada jogo como se fosse o último. Ofereço para o meu pai, que foi um grande cara, foi quem me trouxe há 21 anos para cá e apostou em mim. E para quem todo dezembro eu corro para agradecer, ele é a minha fonte de inspiração. Ele aqui e minha mãe no céu estão sempre me iluminando", afirmou o capitão do São Paulo, que também lembrou da mãe, Hertha.

Após ensaiar volta olímpica e dirigir-se aos vestiários, já que foi escolhido para fazer o exame antidoping, Rogério deixou a emoção de lado e retomou o lado de extremo profissionalismo, uma de suas marcas principais. Ao comentar o resultado que deu ao time a liderança, ao menos provisória, do Brasileiro, após vários tropeços em partidas como anfitrião, o ídolo disparou. "Mesmo com os mil jogos, se nós tivéssemos saído daqui com o empate ou a derrota, eu deixaria o Morumbi frustrado."

O clima que tomou conta do Morumbi na celebração para mais um recorde de Rogério foi usado pelos jogadores como incentivo para o restante do ano.

"O Rogério merece essa festa. É um grande goleiro, um grande profissional e um amigo. Ainda bem que conseguimos essa vitória. Queremos o título e não podemos perder mais pontos aqui em casa. Tomara que daqui para frente, o time não tropece mais no Morumbi", afirmou Rivaldo, trazido por Rogério ao time, no início da temporada.

Dagoberto. Apesar de o dia ser para Rogério Ceni, o atacante, autor do gol da vitória, comemorou com Adilson Batista.

"Ele é um cara bacana, trabalhador e que sofre bastante quando não conseguimos resultado. Tem muita pressão em cima dele, mas o que importa é que estamos todos no mesmo barco", disse Dagoberto.

CARREIRA MARCANTE

103 gols

fez Rogério Ceni até hoje em 21 anos de clube: 56 gols de pênalti e 47 gols de falta

49 gols

Rogério Ceni tem em partidas do Campeonato Brasileiro. No Paulista, marcou 32 vezes e na Libertadores, outras 11

444 jogos

fez o goleiro pelo Campeonato Brasileiro. É o jogador que mais disputou partidas pela competição; no Morumbi, ele atuou 484 vezes pelo São Paulo

48 pênaltis

defendeu Rogério Ceni ao longo de suas mil partidas com a camisa do São Paulo

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