Na ilha da magia

Florianópolis encerra o ano do esporte a motor neste fim de semana, pela primeira vez sem Schumacher. A data do Desafio Internacional das Estrelas ficou muito em cima do Natal, dificultando a vinda do alemão. As pessoas que vão ao kartódromo atrás de um autógrafo, uma palavrinha ou até uma foto com Schumacher vão sentir falta. Mas, na verdade, é ele quem mais vai sentir falta de Floripa. Aqui ele se diverte. Mesmo correndo pra ganhar, ele costuma trazer só os amigos mais chegados, participa de todos os jantares e festas, e só vai embora na segunda-feira. Pelo menos este era o Schumacher aposentado, que foi como ele veio correr aqui nos três últimos anos. Talvez agora fosse diferente, até porque este não foi, para ele, um ano como muito a ser comemorado.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2010 | 00h00

Floripa é um lugar que me deixa feliz. Já há alguns anos, tudo aqui me conquistou. Fiz planos de montar aqui o meu canto depois que parar de correr o mundo. Até escolhi a varanda de frente para a Lagoa da Conceição como local em que eu fixaria minha cadeira de balanço. De fato eu adotei Floripa. E sou muito grato ao fato de Floripa também ter me adotado. Em 2006 a Câmara Municipal me concedeu o título de cidadão florianopolitano. Tornei-me "manezinho" de fato e de direito. Cada vez que piso aqui na Ilha o coração balança. Mas, depois, a volta à vida normal de um paulistano sem cura acaba me desviando dos sonhos que, por enquanto, continuam sendo apenas sonhos. O tempo passou e fui encontrando motivos para não vir definitivamente pra cá. Não vim. Mas que aqui eu me sinto mais feliz, não há dúvida.

Mesmo sem Schumacher, a corrida, agora em seu quinto ano consecutivo de Floripa, já ganhou tal importância que o entusiasmo é o mesmo. A data atrapalhou a vinda de pilotos estrangeiros. O espanhol Jaime Alguersuari, da Toro Rosso, é único, e enfrenta os quatro brasileiros da F-1: Felipe Massa, Rubinho Barrichello, Bruno Senna e Lucas di Grassi. Da Indy, estão Tony Kanaan, Helinho Castro Neves, Vitor Meira e Bia Figueiredo. Alberto Valério, brasileiro da GP2, Enrique Bernoldi, da FIA GT, e João Paulo de Oliveira, do automobilismo japonês, são os outros que disputam campeonatos internacionais. Entre os brasileiros, Christian Fittipaldi, Ricardo Zonta, Antonio Pizzonia, Max Wilson, Ricardo Mauricio, Allam Khodair, Tiago Camilo, Cacá e Popó Bueno, Xandinho Negrão, Marcos Gomes, Luciano Burti, Leonardo Nienkotter e Felipe Giaffone. Para completar o grid de 27 karts, foi convidado o ator Marcos Pasquim, kartista amador que corre há muito tempo.

O curioso do Desafio é o fato de reunir pilotos de diferentes gerações. Antonio Pizzonia, por exemplo, que está comemorando 20 anos de carreira, começou no kart em 1990, sendo campeão amazonense e, depois, tricampeão paulista e campeão brasileiro. Já não é piloto de kart há 15 anos, mas nunca deixou de correr com amigos e participar dessas provas de final de ano no Brasil - as 500 Milhas da Granja Viana e o Desafio Internacional das Estrelas. Rubinho e Christian, os mais veteranos, começaram juntos no kart no início dos anos 80. Christian somou 29 vitórias em 51 largadas. Rubinho ganhou seu primeiro título na categoria 4ª Menor, com 12 anos. Antes da geração de Pizzonia, ainda teve a de Kanaan, Helinho, Zonta, Bernoldi, Ricardo Mauricio, Giaffone e, com pequena diferença, Burti e Max Wilson. Nesta época, Xandinho Negrão era ainda uma criança que acompanhava as corridas de seu pai Xandy. Eles têm idades diferentes, percorreram caminhos diferentes na carreira, mas quando se encontram no final do ano em Floripa, a linguagem é uma só - a paixão pela velocidade.

O Desafio das Estrelas, desta vez, tem uma corrida noturna no sábado (21h45) com transmissão do SporTV. O vencedor é conhecido no domingo pela soma dos pontos das duas corridas, com largada às 11 da manhã. A TV Globo mostra ao vivo para todo o Brasil e a Europa também assiste ao vivo pela Eurosport.

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