Na Itália, o mais difícil dos Mundiais

Brasil buscará o tricampeonato na base da superação. Contra a Tunísia, hoje, grupo só tem um levantador

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

Combalida por alguns problemas de contusão durante a temporada, a seleção brasileira masculina de vôlei inicia hoje, em Verona, Itália, sua jornada rumo ao terceiro título consecutivo no Campeonato Mundial de Vôlei. O adversário da estreia é uma misteriosa Tunísia, às 12 horas de Brasília.

Em tese, o Brasil, que ganhou as edições de 2002 e 2006 da competição, poderia ser considerado o principal favorito ao título e a igualar um feito obtido apenas pela anfitriã Itália nos anos 90 (1990, 1994 e 1998). Mas o time, apesar de não deixar de inspirar respeito, entra em quadra um pouco enfraquecido. Não faltaram percalços ao grupo comandado por Bernardinho.

A primeira baixa foi a do líbero Serginho, que precisou se submeter a uma cirurgia para curar uma hérnia de disco e está fora do time desde a Liga Mundial. Giba também teve problemas no ombro durante a competição. Lucas (costas), Dante (lombar) e Vissotto (panturrilha) enfrentaram desgastes físicos ao longo da preparação para o Mundial e tiveram de ser poupados em algumas atividades. Estão recuperados, mas o levantador Marlon apresentou uma inoportuna colite (inflamação no intestino) e não se sabe quando poderá atuar. A seleção, a princípio, só tem um jogador para a função estratégica de distribuir as jogadas: Bruno. Nem o técnico Bernardinho escapou: sofreu uma lesão no tendão de Aquiles e vai comandar o time de muletas.

"Pelas dificuldades durante a preparação, talvez seja o nosso Mundial mais difícil", diz o meio de rede Rodrigão que, assim como os pontas Giba (que será o capitão) e Dante, pode terminar a competição com três campanhas vitoriosas no currículo. Mesmo assim ninguém mostra abatimento ou preocupação. Ao contrário: após o treino de ontem, a animação dos jogadores ao falar da seleção por telefone ao Estado era total.

Rodrigão não acredita que a ausência de Marlon, que seria o levantador titular, possa ser um desafio para a equipe, apesar do fato inegável de que Bruno será mais exigido fisicamente do que de costume. "Em quadra não muda muita coisa. A diferença é que um é mais leve (Marlon dá mais velocidade ao time) e o outro (Bruno) um pouco mais pesado. Mas estamos acostumados a trabalhar com o Bruno." O meio de rede garantiu que a derrota para a Alemanha por 3 sets a 0 no último amistoso antes da estreia teve impacto positivo sobre o grupo. "Foi bom para a gente ficar esperto. Provou que, se não dermos 100%, qualquer time pode nos vencer."

Psicológico. Dante diz que, para a estreia, seu desconforto é mais psicológico do que físico. "Já estou recuperado do problema nas costas, porém ainda estou um pouco receoso de fazer alguns movimentos, mas é coisa da minha cabeça." Assim como Rodrigão, ele acredita em um Mundial da Itália mais difícil do que os dois anteriores. "Pode ser mais complicado porque esse grupo é menos experiente do que os outros dois."

O ponta não quis falar de favoritos ao título. "Prefiro pensar que o pior jogo é sempre o próximo; então, para mim, é a Tunísia." O jogador conta que o time vinha estudando o adversário nos últimos dias, mas foi pego desprevenido. "Os vídeos que assistimos (na quinta-feira) davam ênfase aos três jogadores-chave só que hoje (ontem) soubemos que eles não vão atuar contra a gente. Muito estranho isso", conta. "Mas ainda vamos ver algumas coisas sobre eles antes do jogo, mas sabemos que têm um saque rápido e baixo."

Bernardinho afirma que o adversário vem evoluindo em termos de desempenho. "A Tunísia é uma equipe de bom potencial físico, que joga com um saque flutuante que incomoda."

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