Na Itália, o melhor do vôlei brasileiro

Começa neste domingo o Campeonato Italiano Masculino de Vôlei, o torneio nacional que reúne o maior número de estrangeiros. Além de extremamente competitivo, o vôlei italiano paga excelentes salários, compatíveis com um país que ocupa o sexto lugar no ranking da economia mundial. A vantagem financeira é o principal atrativo do campeonato, que terá a participação de 17 brasileiros, 11 deles integrantes das últimas seleções nacionais, incluindo estrelas como Giba, Ricardinho e Gustavo, ainda mais valorizados depois do bicampeonato olímpico em Atenas, no ano passado, e o pentacampeonato da Liga Mundial, este ano. Mais uma vez isso significará uma Superliga Nacional, a partir de dezembro, sem os principais jogadores do País. Das 14 equipes na disputa do Italiano, nove contam com brasileiros. Sete delas ? Latina, Cuneo, Módena, S. Croce, Piacenza, Trentino e Vibo Valentia ? com mais de um. Pádova e Treviso, com apenas um. O time que tem mais brasileiros é o Trentino, comandado pelo técnico Radamés Lattari, o único dos 17 que não é jogador. No Trentino estão André Heller e André Nascimento, que já atuou no exterior, mas joga na Itália pela primeira vez.O empresário Jorge Assef, que administra a carreira de vários brasileiros na Europa, afirma que as propostas financeiras são as que determinam a opção dos atletas pela Itália, mais do que atrativos como conhecer outra cultura ou ganhar destaque no esporte internacional. ?Eles acham o Brasil o melhor país do mundo. Mas a proposta para o Giba, por exemplo, foi 50% maior que a da Rússia e o dobro da melhor do Brasil. E hoje eles são os melhores do mundo?, diz Assef.O empresário não revela salários, mas observa que os brasileiros estão ainda mais valorizados no mercado italiano nesta temporada. Giba, de 28 anos, é o dono do maior salário do vôlei no mundo. Dos dez jogadores mais bem pagos da Itália, cinco são brasileiros. Nos últimos anos, a Itália vem perdendo do Brasil nas competições entre seleções, o que aumentou o valor dos jogadores nacionais.O Campeonato Italiano será disputado em turno e returno até 2 de abril de 2006. As datas dos playoffs das quartas-de-final, semifinais e final ainda não foram definidas.Em um dos sete jogos da primeira rodada, hoje, o Módena de Ricardinho e Felipe Chupita enfrenta o Vibo Valentia de Murilo e Renato Felizardo. Murilo, de 24 anos, estréia agora na Itália. Seu irmão Gustavo, de 30 anos, entra na competição para defender o título do Sisley Treviso ? foi eleito o melhor meio-de-rede da última temporada. O Treviso é apontado como um dos favoritos ao título.Gustavo, que mora com a mulher, Raquel, e os filhos Eric, de 5 anos, e Enzo, de 2, em Treviso, concorda que o trabalho dos brasileiros é reconhecido na Itália, mas observa que as cobranças também não são pequenas. Quando sua equipe sofreu para passar pelo Verona nas quartas-de-final na temporada passada, ?o presidente do clube entrou no vestiário e ameaçou não pagar os salários?. Gustavo conta que não tem muitos amigos ? apenas relações cordiais. ?Um dia eu vou voltar mesmo e ainda ganhar um título brasileiro, o que eu não tenho?, afirma. ?Na Itália, os estrangeiros são muito pressionados. Sou o único estrangeiro no Treviso e jogo ao lado de quase toda a seleção italiana.? No time, estão Fei, Papi, Vermiglio e Cisolla, atletas da seleção do país.Segundo Gustavo, na Itália o vôlei é profissional e as cobranças, comuns. ?Somos respeitados como campeões olímpicos e também cobrados como campeões. Em Treviso, a torcida é louca, acostumada a vencer, passional.?

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