Na Li decide Grand Slam e já dá fruto à China

Atleta, que enfrenta Kim Clijsters pelo título na Austrália, é resultado da política de incentivo de seu país ao esporte

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2011 | 00h00

Alguns resultados no esporte acontecem por acaso - a ascensão do brasileiro Gustavo Kuerten ou, recentemente, do sérvio Novak Djokovic, por exemplo. Outros são fruto de programas sérios de incentivo. Na Li pode nem se tornar a campeã do Australian Open - decide o torneio hoje, a partir das 6h30 (com ESPN), com Kim Clijsters -, mas a China já venceu no tênis.

A chegada da chinesa, número 11 do ranking mundial, é o ponto culminante de uma política de incentivo ao tênis implementada pelo governo do país anos antes da Olimpíada de Pequim. O feminino é o que tem dado mais resultados - além de Na Li, há mais três tenistas do país entre as 100 melhores do mundo.

"Acredito que, depois deste resultado, muito mais jovens vão se interessar pelo tênis. E aqueles que já praticam vão passar a pensar que também podem ter uma conquista parecida ou até maior", arrisca dizer Na Li. "O tênis na China não tem muito tempo, é um fenômeno recente. Espero que daqui a três, cinco anos o país possa se tornar uma potência como a Rússia. Muitos novos jogadores vêm aí."

Na iminência dos Jogos, a China investiu em treinadores de outros países (o brasileiro Larri Passos e o espanhol Emílio Sanchez, por exemplo), centros de treinamento e competições. Em 2002, o país recebeu pela primeira vez a Masters Cup, torneio que reúne todo ano os oito melhores tenistas de cada temporada. O evento foi um sucesso, repetiu-se em Xangai de 2005 a 2008 e hoje o mercado tenístico chinês já é um dos mais lucrativos do mundo - são quase cinco milhões de praticantes, pouco para mais de 1,5 bilhão de habitantes, mas número que deve aumentar bastante com os últimos resultados e o surgimento de ídolos como Na Li.

A decisão do Australian Open será transmitida ao vivo para a China, país que também tem muitos imigrantes na Austrália. A WTA (Associação do Tênis Feminino), que possui um escritório próprio no país para explorar a explosão do tênis chinês, espera que bata recordes. "Não só na TV, mas também em nossos canais. Hoje temos 4,4 milhões de chineses cadastrados nas nossas redes sociais", diz Stacey Allaster, presidente da entidade.

"Aussie Kim". A torcida australiana, no entanto, deverá apoiar massivamente Kim Clijsters. A belga ficou conhecida como "Aussie Kim" (Kim australiana) quando namorava com o tenista local Lleyton Hewitt. Já chegou à final em Melbourne antes (2004) e está com Na Li atravessada na garganta: a chinesa derrotou-a na final do Torneio de Sydney, duas semanas atrás.

"Não me senti bem naquela final. Agora tenho mais confiança", disse Clijsters, 27 anos, que deu a entender que em breve deixará as quadras - já parou por dois anos de 2007 a 2009. "Esta será minha última temporada completa. Não terei mais cinco anos para ser campeã aqui."

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