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Paulo Calçade
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Na marca do pênalti

Dois pênaltis pra lá de discutíveis, duas fases completamente distintas. Em Brasília, contra o Flamengo, o São Paulo lutou para retornar ao mundo dos vivos. Ademílson caiu na área, parecendo ter sido empurrado, pênalti marcado. No Pacaembu, quase ao mesmo tempo, Danilo soube usar uma carga no ombro e despencou no gramado. Pênalti contra o Coritiba, rival valente e desfalcado.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2013 | 02h07

E as coincidências terminaram no apito do árbitro, porque as cobranças na marca dos 11 metros mostraram a atual distância entre são-paulinos e corintianos. A fase é tão ruim que Rogério Ceni, o batedor oficial, foi trocado por Jadson. Felipe, o goleiro do Fla, adivinhou o canto e chegou antes. A redentora e inesperada vitória sumiu no desespero.

Com o peruano Guerrero foi goleiro de um lado, bola do outro. Na prática, jogando pouco, o Corinthians se inscreve na disputa pelo título enquanto o São Paulo, jogando nada, surpreende pelo desmantelamento técnico e psicológico do grupo. A situação está cada vez mais crítica.

Por mais crise, dúvidas e dívidas que o Brasileiro 2013 possa produzir, é inegável que temos um bom campeonato, mais competitivo do que técnico, e bem mais interessante que o Espanhol, por exemplo, que ontem viu Neymar estrear em jogos oficiais. Ele ficou quase meia hora em campo na goleada aplicada no Levante. Assim começou a trajetória europeia do brasileiro, discreto, mas com 7 a 0 no placar.

Por algum tempo veremos um Neymar diferente. No Santos, era o dono do time, decidia o que fazer. Não precisou de muito tempo para se transformar na referência técnica do time e do futebol brasileiro. Durante a Copa das Confederações, avançou nesse sentido também na seleção.

Agora é diferente. Os primeiros passos e passes na Catalunha pedem cuidado. Escalado como ponta esquerda, sua primeira missão é dar profundidade ao time e mantê-lo aberto, com amplitude.

No Barça, a obrigação dos pontas é prender a última linha adversária, com quatro e até cinco marcadores, no fundo do campo. Na prática, apenas dois jogadores condicionam o posicionamento da defesa contrária, empurrando-a contra seu próprio gol.

O resultado é a superioridade numérica no meio de campo, setor em que Messi flutua em busca de espaço, e onde está o resto do Barcelona, com laterais e zagueiros. Foi assim com Guardiola, com Tito Vilanova e será também com Gerardo Martino.

Neymar está preparado. Posicionou os holofotes na direção de Messi e assumiu o papel de coadjuvante. Em breve, ele entenderá os movimentos táticos do time e conseguirá, além de cumprir sua missão no setor esquerdo, circular nos espaços, nas entrelinhas.

E assim poderá mostrar toda sua capacidade. É quando conheceremos o verdadeiro Messi. Por mais importância, brilho e reconhecimento que Xavi, Iniesta e Fábregas sempre tiveram, o espaço do craque argentino jamais foi ameaçado.

Não significa que Neymar competirá, em tão pouco tempo, com a rica história de Messi no Barça. Dificilmente conseguirá atingir essa dimensão. Mas o brasileiro possui atributos especiais, algumas vantagens. Não há no Barcelona um jogador tão carismático.

Neymar se comunica o tempo todo. Pelas redes sociais, pelo estilo pop e pela expressão de um futebol diferente. O camisa 10 do Barça é genial, nunca deu uma pedalada na vida. É um fenômeno em campo, sem firulas, mas um mistério fora dele.

Neymar opera em outra frequência, o Barcelona já percebeu isso. Sabe que tem um grande "produto" para ser trabalhado. E mais: o brasileiro, a Nike e o clube falam a mesma língua. Agora veremos como Messi vai se comportar, se terá um companheiro ou um adversário.

Enquanto isso, por aqui, o Brasileirão não tem a riqueza de Barcelona e de Real Madrid, mas é muito mais emocionante e imprevisível. Talvez Neymar sinta falta dele.

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