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Antero Greco
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Na miúda

Nem São Paulo, tampouco Santos, muito menos Corinthians. O time paulista que apresenta campanha recente mais dignificante é a Portuguesa, que, até dias atrás, fazia parte do bloco de candidatos ao rebaixamento. O retrocesso para a Série B parecia inevitável, em sorte idêntica à de Ponte Preta e Náutico, que não encontram maneira de sair do buraco em que se meteram. Cravava-se que havia uma vaga aberta para completar o quarteto de relegados ao limbo nacional.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2013 | 02h08

As previsões agora precisam ser refeitas - por méritos da Lusa, que joga futebol vistoso o suficiente para negar prognósticos fatídicos em torno do futuro que a aguarda. Nas últimas sete rodadas, ganhou cinco vezes e perdeu duas - e numa dessas em jogo polêmico diante do Grêmio, com final de 3 a 2 e confusão até fora de campo.

A Lusa não redescobriu a pólvora nem tem craques na função de salvadores da pátria. Apenas reencontrou calma, equilíbrio e confiança, e sob o comando de Guto Ferreira, constatou que não é pior do que muito concorrente estrelado na elite. Pra ficar em psicologia de mesa de boteco, deu um bico bem dado no baixo-astral e passou a acreditar na chance de evitar o naufrágio. Receita simples, com condimentos caseiros, e que tem funcionado.

O impulso que faltava para encher de orgulho o peito lusitano veio ontem, com o 1 a 0 pra cima do Internacional, em Novo Hamburgo. A Portuguesa encarou o adversário sem aquele complexo de inferioridade que a deixava meio derrotada já na entrada em campo.

A Lusa aproveitou-se do desespero colorado, da pressão da torcida local sobre o técnico Dunga, da expulsão de Índio no início do segundo tempo, e das boas arrancadas de Diogo. Tanto martelou, e com qualidade, que o prêmio lhe saiu aos 39, com o Wanderson.

Os 28 pontos do momento não a livram da degola, ainda. Porém, a levam a ficar à frente de pesos pesados como São Paulo, Flamengo, Vasco. E só três atrás do Corinthians. Sem alarde, à chucha caladinha, para ficar em provérbio da terrinha, a Lusa corre por fora. Não é motivo para orgulho, ó pá?!

O ataque sumiu! O Corinthians desaprendeu a marcar gols. No 0 a 0 com o Cruzeiro alcançou a marca esdrúxula de um gol em seis partidas. E, não por acaso, nesse período acrescentou apenas dois pontos no seu saldo e despencou do quinto para o 11.º lugar na classificação. Em 23 rodadas, o ataque campeão do mundo mandou 20 bolas nas redes rivais - pior do que ele o lanterna Náutico, com 10. Nem adianta vir com a conversa de que a defesa levou 13. E daí?

Esse negócio de números cheira a papo furado e serve para iludir incautos e os que baseiam a vida em algarismos. Na prática, se vê um Corinthians sem graça, com criatividade nula e sujeito a chuvas e trovoadas. No primeiro tempo do clássico no Pacaembu, nem se percebeu a presença de Fábio em campo. O goleiro mineiro ficou isolado como um esquimó no Ártico. Não veio uma bola para desafiá-lo. O Cássio, coitado, quase foi para o intervalo com uniforme rasgado, de tanto que pulou para evitar gols.

Na segunda parte, até que Tite fez o time despertar - mas sem exageros, claro! O duelo ficou mais equilibrado, o que não significou avalanche de situações de gol. O quarteto Romarinho, Douglas, Danilo, Emerson, antes tão ferino, agora é de polidez constrangedora. Trata de não incomodar os visitantes, quase está a pedir desculpas por chutar a gol.

A chance está no meio da semana, no confronto com o Grêmio pela Copa do Brasil. Ou a turma alvinegra se mexe ou a casa cai em cima dela.

Sinal amarelo, de novo. Na crônica de ontem, escrevi que não era presunção do torcedor (e de jogadores) do São Paulo sonhar com a Libertadores, após três vitórias seguidas e apesar do pedido de cautela de Muricy; o time reagia bem. O baque tricolor veio com a derrota para o Goiás. Não jogou mal, se isso serve de consolo. Mas os 27 pontos não o colocam a salvo da zona de perigo.

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