Na Nova Zelândia, Brasil aprende com campeões

Seleções brasileiras masculina e feminina realizam um período de treinos em um dos países mais vitoriosos do esporte

NATHALIA GARCIA, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2012 | 02h07

As seleções masculina e feminina de rúgbi sevens, modalidade olímpica do esporte, já estão na Nova Zelândia para um período de treinamento intensivo sob os olhares dos técnicos que estão participando de uma parceria de alto rendimento que vai tentar colocar o Brasil entre os melhores do mundo.

Tabai Matson, que já defendeu os All Blacks, esteve no Brasil e visitou São Paulo, São José dos Campos, Curitiba e Florianópolis. Para ele, o rúgbi nacional tem muito potencial. "O Brasil tem o recurso de muitas pessoas. O que vocês têm mais do que a Nova Zelândia? Capital humano", diz.

Ele acredita que o principal desafio do País é inserir o jovem na cultura do rúgbi desde cedo. "No Brasil as pessoas começam a jogar porque gostam, com 16 anos. Em lugares como a Nova Zelândia, a gente começa a jogar assim que aprende a andar", explica.

Otimista, o treinador projeta que em até dez anos a postura do brasileiro estará mudada. E, para o crescimento do esporte no País, ele receita: devemos manter as pessoas na modalidade. "Se tentarmos transformar um garoto de 7 anos em um campeão olímpico, ele vai parar de jogar aos 10. Ele precisa adorar o momento que entra em um campo. Tem de gostar de tacklear (derrubar o adversário), de cair no chão."

Os atletas estão na Oceania sob os cuidados de Brent Frew e Scott Robertson. Ambos são peças fundamentais em uma nova estruturação do rúgbi nacional. "O Brent é um educador de treinadores na Nova Zelândia. Robertson será o head coach e é simplesmente fantástico. Ele foi um oitavo dos All Blacks, já ganhou título de Super Rugby e é um excelente treinador de atacantes", elogia Matson.

Para ele, o Brasil está na direção certa ao firmar uma parceria de desenvolvimento de alto rendimento. O trabalho tem como objetivo uma medalha na Olimpíada de 2020. No entanto, uma evolução já é esperada para os Jogos do Rio. "Faltam quatro anos até a Olimpíada e esse será um período de mudança de estrutura, promovendo pessoas jovens, desenvolvendo um time e não apenas copiando modelos. Esse é o caminho a seguir."

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