Na prancheta do risco zero

Adilson Batista e Felipão montaram seus times na prancheta do risco zero, mais preocupados com as virtudes do adversário do que em facilitar o caminho do gol para seus comandados. Os resultados mais recentes drenaram a coragem dos treinadores, cientes de que o placar de um clássico possui consequências sempre mais perigosas.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2011 | 00h00

Construíram um jogo tático, repleto de cautela e caldo de galinha numa tarde fria e úmida. Mesmo assim, apesar de todo o cuidado, os gols surgiram exatamente da maneira que os dois professores tentaram evitar. O Palmeiras iniciou com Chico na função de primeiro volante, amparado por Márcio Araújo, Marcos Assunção, Patrik e Luan, o jogador que dá o equilíbrio tático ao meio de campo.

O objetivo era interromper o fluxo de passes do São Paulo e manter Rivaldo sempre vigiado para evitar a finalização ou o passe. Como o negócio é futebol e não matemática, o camisa dez descobriu Dagoberto, passou-lhe a bola e o atacante abriu o placar com um golaço por cobertura.

Havia no São Paulo três zagueiros para neutralizar a bola aérea do Palmeiras, sempre presente na genética dos times de Felipão. Apesar da jogada prevista, manjada e treinada para ser eliminada, Marcos Assunção fez mais um cruzamento perfeito, desta vez para o gol de empate, marcado pelo zagueiro Henrique.

Era mais ou menos o que os treinadores pretendiam, não podiam perder. Idealizaram equipes perfeitas na marcação e torceram por um vacilo do rival. É o que se costuma chamar de detalhe. Detalhe que nem sempre é o que pensa e deseja o torcedor, mas evita crises. Saíram todos felizes, com a prancheta do risco zero intacta.

Líder em baixa. A grande partida do Corinthians no Campeonato Brasileiro não foi a goleada sobre o São Paulo. Para explicar o início espetacular era preciso entender como a equipe havia alcançado uma vitória aparentemente menor, de placar mínimo, contra o Internacional, na época dirigido por Falcão.

Agora, com a má fase instalada, apesar da manutenção da ponta, entender as circunstâncias daquele confronto é fundamental para se fazer uma boa leitura do que anda acontecendo, pois lá estava o jogo mais difícil, o mais complexo, no qual desde o primeiro minuto ficara claro: poderia ser decidido num pequeno erro.

Paciente e adaptado a um Inter trancado e denso, mesmo com D"Alessandro e Oscar no meio-campo, o Corinthians venceu com personalidade e confiança. Agora, diante de uma agenda que deveria ser mais fácil, ganhou apenas um ponto dos seis disputados contra Ceará e Figueirense em casa.

A solução dos problemas deixou de ser apenas de ordem tática, se Danilo e Alex devem ou não jogar juntos. Agora, no período de baixo rendimento, primeiro vai ser preciso encontrar aquela paciência, aquela organização. Depois Tite terá a tranquilidade necessária para mexer no formato da equipe. A mudança de padrão e estilo poderá ocorrer, pela maneira como domina a área, quando Adriano puder jogar.

Campeão, mais uma vez. Vencer o Mundial Sub-20 é sempre importante, mas ainda é cedo para determinar que tipo de impacto esse grupo terá na seleção principal. O time foi muito bem dirigido por Ney Franco, que desde a conquista do Sul-americano, em janeiro, "perdeu"" dois titulares, Neymar e Lucas, para Mano Menezes.

Certeza mesmo é que já passou da hora de a CBF iniciar trabalho sério na base, de prospecção, deixando amigos e apadrinhados longe das decisões exclusivamente técnicas, caminho que deveriam seguir também os clubes brasileiros. Por enquanto, o ponto positivo de Mano na seleção foi ter escolhido Ney Franco para o cargo.

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