Na reserva e contra a parede no time, Ganso promete reagir

Sem espaço na equipe titular do Brasil e futuro indefinido no Santos, meia fala que vai dar a volta por cima

LONDRES, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2012 | 03h02

Paulo Henrique Ganso trava uma luta diária para recuperar o futebol que um dia já exibiu. Não tem sido fácil. Em péssima fase há algum tempo, o meia do Santos atualmente é notícia muito mais por suas brigas com a diretoria alvinegra do que por seus passes precisos ou por seus gols. Reserva absoluto da seleção brasileira que vai disputar os Jogos de Londres, Ganso tenta manter o pensamento positivo, mas isso também não tem sido fácil.

Não custa lembrar que Ganso era a grande aposta de Mano Menezes quando o treinador gaúcho assumiu a seleção, há quase dois anos. Ele seria a solução para um dramático problema do futebol brasileiro, a falta de um grande meia-armador. De lá para cá, muita coisa mudou para ele (para pior, evidentemente). Está bem claro que o treinador perdeu a confiança nele. O desempenho do (ainda) santista nos treinos não empolga ninguém e no amistoso contra a Grã-Bretanha, em que entrou no segundo tempo, Ganso também não mostrou futebol para brigar para voltar a ser titular.

Escancarar a insatisfação com a reserva é algo que o meia não pensa em fazer, até para não piorar a situação. Mas ele está incomodado, isso é claro. "Eu espero voltar logo a ser titular para ser novamente a referência do meio de campo da seleção", disse o jogador. "Estou completamente focado e alegre para ajudar a seleção na busca pelo ouro."

Não foi por acaso que Ganso disse que está alegre. Os jornalistas que acompanham a seleção têm a clara sensação de que o jogador está cabisbaixo, sem muito ânimo para lutar com unhas e dentes para voltar ao time, e ele se preocupa em garantir que isso não é verdade. "Estou vivendo um grande momento pois tenho a chance de ajudar a seleção a ser campeã olímpica."

Ganso culpa as várias lesões que sofreu na carreira pela perda de espaço na equipe de Mano. A última delas, no joelho direito, tirou-o dos amistosos que a seleção fez na Alemanha e nos Estados Unidos, jogos em que Oscar mostrou um futebol de alto nível e "roubou" do meia a vaga na equipe. Mas é claro que a falta de definição sobre seu futuro tem atrapalhado Ganso. E ele até reconhece isso. "Qualquer negociação mexe com a cabeça do jogador, não tem jeito, mas eu tenho a cabeça boa para lidar com isso", falou o meia. "Hoje o meu futuro é no Santos, tenho contrato até 2015", disse, tentando sem sucesso encerrar os questionamentos sobre o que será dele depois da Olimpíada.

Recentemente, ele tornou sua relação com a diretoria santista ainda pior ao escrever no Twitter que pessoas que chegaram ao clube há pouco tempo tentam desviar o foco dos reais problemas clube. Era uma referência ao presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro. Ontem, mesmo sem admitir a referência ao cartola, Ganso se defendeu.

"Sempre dou a cara para bater. Foi uma maneira que encontrei para expor meus sentimentos, pois ouço muitas coisas que não são corretas."

As lesões, as dúvidas sobre onde jogará após os Jogos, a perda de espaço na seleção, tudo isso coloca Ganso contra a parede." / M.S.A.

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