Na última cartada, em 2009, derrota para o Brasil

Samaranch participou ativamente da luta de Madri para ter os Jogos de 2016 e pediu votos como 'último presente'

, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2010 | 00h00

GENEBRA

Juan Antonio Samaranch deixou a cena olímpica com uma derrota. Em Copenhague, no ano passado, o espanhol pôs todo o seu peso político e prestígio para garantir que a candidatura de Madri fosse a escolhida. Em seu discurso final, apelou aos delegados do COI - muitos deles colocados ali por ele - para que votassem como forma de reconhecimento pelo que havia feito em favor do movimento olímpico nos últimos anos.

Samaranch chegou a constranger alguns delegados ao pedir que Madri fosse escolhida como um presente para ele, que estava no fim da vida. "Estou muito perto do fim dos meus dias e peço que considerem dar a meu país a honra de organizar os Jogos de 2016", disse. Momentos depois, foi o brasileiro João Havelange que também fez um apelo, mas com outro tom, convidando a todos ao seu aniversário de 100 anos em 2016 no Rio de Janeiro.

Após a votação, Samaranch admitiu que o Brasil merecia receber o evento. "Os Jogos estão em boas mãos, o Rio mereceu", afirmou. "O COI tem uma dívida com a América do Sul. Os Jogos nunca foram realizados na região e o mais próximo a que se chegou foi em 1968, no México", afirmou o dirigente. Para ele, o Brasil se consolidava como a terceira maior potência esportiva das Américas atrás de Estados Unidos e Cuba. De acordo com o dirigente, parte das conquistas estava relacionada às mudanças na direção do esporte brasileiro.

Ajuda bem-vinda. Sem saber, Samaranch ainda teve um papel decisivo na vitória do Rio. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, foi chamado pelo ex-presidente do COI para uma reunião em Lausanne, Suíça, no início da década. Naquele momento, foi orientado a concorrer para organizar os Jogos Pan-Americanos de 2007, que serviu de plataforma para a candidatura aos Jogos Olímpicos. / J.C.

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