Na vela, Bimba pode perder vaga em Pequim para aluno

'Sinto-me desvalorizado. A decisão é da CBVM. O País não pode levar azarões para Pequim', dispara o velejador

Bruno Lousada, O Estado de S. Paulo

09 de fevereiro de 2008 | 14h40

O velejador Ricardo Winick, o Bimba, está indignado. Ele garantiu a vaga para o Brasil na Olimpíada de Pequim na classe RS:X masculina, ao conquistar o mundial em Cascais no ano passado, mas seu passaporte para a China ainda não foi carimbado. Até o dia 15 de fevereiro, Bimba vai disputar a Seletiva Brasil de Vela, na Baía de Guanabara, na qual o único adversário em busca do sonho olímpico é seu aluno Albert Carvalho, de 18 anos. Ou seja, o criador pode ser superado pela criatura.  "Sinto-me desvalorizado. A decisão é da Confederação Brasileira de Vela e Motor (CBVM) e vale para todas as classes. Mas acho que ela não abre exceções, e isso não pode acontecer. Questão de bom senso", declarou Bimba, ressaltando que o País não pode levar 'azarões' para Pequim. Bimba toca um projeto social em Búzios, na Região dos Lagos, no qual ensina filhos de pescadores e caseiros a velejar. Atualmente, tem sete alunos e conta com o patrocínio anual da prefeitura do balneário, num valor de US$ 5 mil (cerca de R$ 10 mil). Além disso, diz ter um 'padrinho' que banca uma prancha por temporada para a garotada. "Preparo o Albert para ser o melhor do mundo e, no momento, sinto-me um pouco arrependido", brincou, achando graça do duelo com o próprio aluno. "Pode acontecer zebra." Bimba criticou a poluição da Baía de Guanabara, cuja promessa de despoluição nunca se concretizou. Ele contou que, recentemente, um velejador espanhol quase se machucou depois que seu barco, a 50 quilômetros por hora, passou por cima de um lixo boiando e "voou". "É chato velejar numa água imunda e com cheiro horrível. Já encontrei cadáver, bicho morto, porta de geladeira, sofá e televisão na Baía de Guanabara", conta o atleta. Fã de Bimba, Albert Carvalho respeita o mestre e nem ousa provocá-lo. "Não dá para ganhar dele. Ele anda muito." Perguntado se já havia parado para pensar que ele pode ir para Pequim, respondeu de primeira: "Não. Que doideira! Mas é melhor ele ir. Não tenho experiência." Graças a Bimba, Albert Carvalho já disputou competições no Canadá, na Inglaterra e na Argentina e, atualmente, ganha salário mensal dando aula para os meninos do projeto. "Só quero vencer uma regata." Falta combinar com o patrão.

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