Nadal busca sua maior façanha no Australian Open

Número 1 do mundo tem chance de conquistar os quatro títulos de Grand Slam em sequência, o que não ocorre desde 69

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2011 | 00h00

Poderá Rafael Nadal vencer os quatro torneios de Grand Slam em sequência, assim como Rod Laver fez pela última vez em 1969? Esta é a pergunta que todo o mundo do tênis quer ver respondida no Australian Open, que começa esta noite, em Melbourne. O espanhol, número 1 do mundo - que enfrenta o brasileiro Marcos Daniel na estreia -, vem de títulos em Roland Garros, Wimbledon e no US Open na última temporada. Está a 14 dias de outra incrível façanha.

Roger Federer, seu maior adversário no torneio, já esteve a ponto de conquistar o feito, mas tropeçou exatamente no espanhol em Roland Garros nas finais de 2006 e 2007. Sua principal ambição na Austrália é dar o troco no amigo Nadal. "Torço para que ele tenha muitas conquistas porque nos damos muito bem, mas também tenho meus objetivos. O primeiro é voltar a vencer um título de Grand Slam", declarou o suíço, que espera voltar ao topo do ranking para bater recorde de permanência de Pete Sampras - está a uma semana de igualar as 286 semanas na liderança que o americano conquistou.

Lendas do tênis são unânimes: há muitas chances de o mundo presenciar mais uma façanha espanhola daqui a duas semanas. Nadal divide com Federer o favoritismo no Australian Open nas principais casas de apostas. Antigos talentos do esporte do quilate dos ex-número 1 do mundo Stefan Edberg, Mats Wilander e John McEnroe, além de Yannick Noah, campeão de Roland Garros em 1983, fazem uma fezinha no espanhol. Minimizam o fato de Federer ter levado o título em Doha, no Catar, uma semana atrás, em torneio que o número 1 do mundo caiu na semifinal - estava gripado e se sentiu mal em quadra, alegou.

"Aposto em Nadal porque ele é o jogador mais duro de ser batido em jogos de cinco sets. Se conseguir se manter saudável, então ele é o cara em quem eu apostaria em todos os Grand Slams daqui para a frente até que me provem o contrário", explica McEnroe, dono de sete taças dos quatro maiores torneios do mundo.

"O Nadal melhorou muito mais enquanto esteve na liderança do ranking do que o próprio Federer", lembra Wilander, tricampeão na Austrália na década de 80 e com outros quatro títulos de Grand Slam no currículo. "Ele tem uma capacidade enorme de fazer mudanças no seu jogo que o Federer não possui e um poder mental muito grande. Aposto no espanhol no Australian Open."

Laver minimiza façanha.[ ] [/ ]Os grandes tenistas de todos os tempos parecem ter uma queda pelo estilo de jogo mental do espanhol, embora não deixem de reconhecer todo o talento de Federer. Só não entram em acordo sobre o tamanho de uma conquista na Austrália.

"Deveria significar um mini-slam, ou como se quiser chamar, mas não é o Grand Slam que ele venceria", diz o mítico Rod Laver, 72 anos, esta semana para a imprensa australiana. "Reconheço que seria um grande feito para o Nadal ganhar os quatro em sequência, mas não acho que seja o mesmo que vencer todos no mesmo ano. Isso é bem mais difícil e é preciso ter um pouco mais de sorte para dar certo."

Certamente não é por ciúme que o australiano que dá nome à quadra central do Australian Open pensa assim. Ele foi o único a vencer o Grand Slam na mesma temporada por duas vezes - também conquistou os quatro maiores títulos em 1962. E também aposta no título de Nadal. "Ele está mais forte do que nunca", admira-se.

Clijsters tem a bola da vez. A chave feminina, desfalcada de Serena Williams, possui uma única grande favorita: a belga Kim Clijsters, que também conquistou o US Open, último Grand Slam do ano passado. A líder do ranking, Caroline Wozniacki, ainda precisa provar ser capaz de ter sucesso nos grandes palcos do tênis e começou a temporada muito mal - foi eliminada na estreia do Torneio de Sydney.

Olho na chuva. Normalmente, o calor tira o sono dos tenistas, mas este ano o inimigo parece ser a chuva. Ela caiu durante toda a semana em Melbourne e causou enchentes em Brisbane. Hoje as principais estrelas do torneio fazem uma exibição para arrecadar doações aos milhares de desabrigados.

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