Nalbert vai passar por cirurgia no ombro

Ainda existe chance de Nalbert disputar a Olimpíada. A resposta, porém, só vai ser descoberta depois da operação que ele fará nos próximos dias no ombro esquerdo. Os médicos que cuidam do caso estimam o período de recuperação entre quatro e oito meses. A Olimpíada começa daqui a 145 dias e Nalbert já assume que não será possível jogar com 100% de condições físicas. Capitão da seleção brasileira masculina de vôlei, Nalbert sofreu ruptura completa do tendão do supraespinhoso, no ombro esquerdo, durante uma partida do Campeonato Italiano. Neste sábado, ele passou por exames com o ortopedista Sérgio Checchia, que tem no currículo o tratamento da bursite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A lesão foi confirmada e Nalbert deve decidir neste domingo onde fará a operação, se no Brasil ou na Itália. O mais provável é que seja em São Paulo e a cirurgia pode até acontecer na segunda-feira. Nalbert contou que sua primeira atitude ao saber da lesão foi informar aos médicos que sua prioridade era a recuperação do ombro e não a participação na Olimpíada. Sérgio Checchia disse que até seria possível fazer um tratamento sem a intervenção cirúrgica. "Seria um risco maior que o da operação." Sobre Nalbert ter ou não condições de estar em Atenas em agosto, a questão só começa a ser descoberta na hora da artroscopia, segundo o médico. "Fizemos uma ressonância magnética e sabemos que o tendão dele tem uma qualidade razoável. Apenas na hora da operação, quando podemos tocar o tendão, é que teremos uma noção do tempo de recuperação." Sérgio Checchia já adiantou que Nalbert ficará seis semanas apenas esperando a cicatrização do local, sem poder movimentar o ombro. Depois disso, um fisioterapeuta vai orientar o jogador a fazer movimentos leves. Só então será possível ter uma idéia melhor sobre quando ele poderá voltar às quadras. "Pode ser até que eventualmente ele volte a tempo de treinar e jogar em Atenas, mas depende da evolução. Em 96% dos casos, a cirurgia tem sucesso. Mas pode haver uma dor residual ou a sutura não cicatrizar", disse Sérgio. Apesar do quadro cheio de incertezas, Nalbert diz que está otimista. "Tudo o que eu vivi até hoje foi sempre pensando em ganhar uma medalha de ouro olímpica. Isso seria a maior honra para mim. Eu estou otimista, acho que dá. Não vai ser a preparação que eu imaginava para uma Olimpíada, mas vou lutar. Vou ter de trabalhar o dobro que eu fazia na perna, o dobro para o ombro direito. Estou considerando isso como um desafio." O jogador vinha planejando deixar a seleção após Atenas, para começar a jogar no vôlei de praia, para disputar Pequim/2008. Agora, deixa o futuro em aberto. Ele falou várias vezes com o técnico da seleção, Bernardinho, nos últimos dias. Agora, Nalbert entra na novela da recuperação. Por enquanto, nem dormir consegue. "É complicado encontrar uma posição na cama que não deixe o ombro doendo."

Agencia Estado,

20 de março de 2004 | 13h14

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