Não ao medo

Possível ataque terrorista deixa todos apreensivos às vésperas dos Jogos

ANTERO GRECO, O ESTADO DE S.PAULO

20 de julho de 2016 | 05h00

O mundo tem medo de atentados. Você, eu, o vizinho, tenistas argentinos, os nadadores franceses, velocistas norte-americanos, esgrimistas italianos. Enfim, qualquer pessoa pacata teme violência de extremistas, sobretudo em grandes eventos públicos. Europeus têm sido alvos da ação de terroristas e, a poucos dias dos Jogos, espalha-se a preocupação de que tragédias venham a ocorrer no Rio. 

A cautela é necessária, mesmo que o Brasil esteja, aparentemente, fora do circuito preferido de facções radicais internacionais. Precaver-se e garantir serenidade para todos que vierem ao País é bê-á-bá na organização da maior manifestação esportiva da terra. Aspecto tão importante quanto a construção de arenas. 

Mas sem histeria. O temor excessivo leva ao pânico, desemboca em paranoia. Eis o que o terror deseja: a paralisia coletivas, que as pessoas se tranquem em casa, percam o sono, vislumbrem inimigos em todo canto, a saltarem de cada esquina. Tenham sobressaltos com a própria sombra. As trevas.

O discurso do medo convém aos derrotistas de plantão – sujeitos que torcem pelo fiasco de qualquer iniciativa nacional, os eternos herdeiros do “complexo de vira-lata”, na definição clássica de Nelson Rodrigues. Basta lembrar o bordão “Imagina na Copa”, por anos a delícia dos que apostavam no fracasso do Mundial em casa, em 2014. 

Decepção houve, sim, para os agourentos, pois gringos e patrícios se divertiram com o mês de jogos de futebol. Além disso, funcionaram aeroportos, serviços, os estádios. Incidentes, só os habituais, e muito aquém do previsto. Sem contar os 7 a 1 para a Alemanha...

A conversa pesada em torno da fragilidade da segurança também beneficia quem está de olho em recursos adicionais para o setor. Verba existe e foram contratadas empresas para a execução do serviço. Se, no momento, se detectam falhas, que se cobre eficiência dos responsáveis; há tempo para os ajustes. E, por mais que se esmere, sempre serão percebidas brechas. Foi assim até em Pequim e em Londres, para ficar em Olimpíadas recentes e em locais com tradição de rigor em tal quesito.

Ingenuidade ou má fé supor que o governo esteja a dormir de touca, como se vivêssemos no paraíso terrestre. Serviços de inteligência daqui há muito trocam informações com agências congêneres espalhadas pelo mundo. Listas de procurados ou de terroristas circula por quartéis-generais. Ou você pensa que americanos, russos (se vierem), franceses, ingleses, israelenses, palestinos enviarão atletas, dirigentes e autoridades sem nenhum respaldo ou com cobertura amadora? Nunca. 

Não se trata de lero-lero ufanista. Cruz-credo! Claro que o Brasil tem problemas terríveis, crônicos, endêmicos com violência, e o Rio é um dos nossos calcanhares de Aquiles nesse ponto. A insegurança por lá não vai acabar por causa dos Jogos – antes fosse assim, e seria o grande legado da gastança toda. 

Também não aumentará de maneira descomunal, como estão a vender por aí, com farta repercussão no exterior. Teremos relatos de incidentes, de turistas lesados, de assaltos. Como houve em Atlanta, Barcelona, Atenas. Como aconteceu nos Mundiais da Alemanha, da África do Sul. Como teve na Euro na França. Os pilantras sempre encontram maneiras de burlar a vigilância – lá e cá.

Há coisas que não mudam, como vídeos de tropas especiais em exercícios de simulação de combate a atentados ou militares a ocuparem locais estratégicos; encenação para acalmar espíritos inquietos. Bem como temas polêmicos fazem parte do cardápio prévio. Na Grécia, se falava de poluição, crise econômica e corrupção até o apito inicial das provas. Antes da largada dos duelos em

Pequim, houve espaço quase só para... poluição e protestos pelo Tibete. Isso desapareceu, a partir das quebras de recordes, quando prevaleceu o Esporte. Agora, são a violência no Rio e o medo dos atentados. Até...

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