Eric Gaillard/Reuters
Eric Gaillard/Reuters

'Não dá para vencer a Volta da França sem doping', diz Lance Armstrong

Norte-americano banido do esporte venceu a disputa, que chega à sua 100ª edição, por sete vezes

AE, Agência Estado

28 de junho de 2013 | 11h27

PARIS - A um dia para o início da centésima edição da Volta da França, o nome de Lance Armstrong não tem como não ser lembrado no mundo do ciclismo. O norte-americano conquistou a mais tradicional prova da modalidade em sete oportunidades, mas acabou tendo todos os títulos cassados depois de ser o principal personagem de um escândalo de doping que estourou no fim do ano passado. Nesta sexta-feira, ele voltou a ser notícia em entrevista polêmica dada ao jornal francês Le Monde.

Armstrong alegou que é "impossível" vencer a Volta da França sem doping e, por isso, garantiu que ainda se considera heptacampeão da competição. Em entrevista a uma TV norte-americana em janeiro deste ano, ele já havia admitido que considerava o doping "parte do trabalho" de um ciclista.

Perguntado se ele conseguiria vencer sem doping, Armstrong disparou: "Depende de que prova você quer ganhar. A Volta da França? Não. É impossível vencer sem doping. Porque a Volta da França é um teste de resistência, no qual o oxigênio é decisivo", publicou o jornal francês nesta sexta.

Apesar desta afirmação, Armstrong considerou legítima a decisão de tirar-lhe os sete títulos conquistados na França (de 1999 a 2005), mas provocou os outros ciclistas e deu a entender que eles também teriam se dopado. "Podem apagar meu nome, mas a Volta da França foi realizada entre 1999 e 2005, não é? Tem de haver um vencedor. Quem é ele? Ninguém se apresentou para reivindicar meus títulos."

Em janeiro, Armstrong admitiu o consumo de substâncias dopantes e a utilização de transfusões de sangue ao longo de sua carreira, após ter sido acusado pela Agência Antidoping dos Estados Unidos (Usada) e perder seus títulos. O norte-americano, no entanto, explicou que os testes antidoping de sua época eram muito mais precários e disparou contra a entidade.

"Tudo isso é besteira. Nosso sistema era muito simples, muito conservador. A história vai mostrar que tudo isso foi apenas uma postura da Usada para fazer barulho", declarou. "A fundamentada decisão da Usada conseguiu destruir a vida de um homem, mas não agiu em benefício do ciclismo", completou.

Mesmo com todas essas declarações, Armstrong admitiu o remorso pelas atitudes tomadas ao longo de sua carreira. "Eu nunca conseguirei consertar tudo, mas vou passar minha vida tentando. Sei que eu era muito duro com as pessoas. Lutar em cima da bicicleta, perfeito. Lutar fora, não. Não consegui, não pude diferenciar as duas coisas."

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