'Não existe mulher maravilha', diz dirigente

Afirmação é de John Leonard, diretor executivo da Associação Mundial de Técnicos de Natação

Jamil Chade, Londres, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h03

John Leonard, diretor executivo da Associação Mundial de Técnicos de Natação e que está no esporte há 40 anos, alerta: "Não existe mulher maravilha". O americano insiste que não se pode dizer se Ye Shiwen estava dopada. Mas insistiu que "é difícil de acreditar" no resultado. "Precisamos ter cuidado em falar de doping. Mas o que eu posso dizer é que, na natação, todas as vezes que vemos um resultado surpreendente como este, a história acaba mostrando que substâncias proibidas estavam envolvidas", alertou.

"Ye parece a mulher maravilha. Mas sempre que alguém aparece assim na história foi provado que chegou lá graças ao doping", insistiu, rejeitando a acusação de racismo ao suspeitar da chinesa sem ter provas.

"Não se pode chamar de racismo dizer que os chineses têm um histórico de doping. É um fato." Segundo ele, cinco nadadores chineses nas categorias júnior foram suspensos em 2009 por doping, e sua esperança é de que o COI volte a realizar os testes com as amostras de Ye nos próximos anos. Por lei, a entidade mantém as amostras por oito anos e as utiliza para fazer testes cada vez que surge uma nova tecnologia para os exames. O temor no COI é de que os testes não conseguem acompanhar o ritmo de evolução das substâncias e nem de manipulação genética.

Tecnicamente, Leonard admite que atingir a marca de Ye seria possível. Mas alerta que repetir o mesmo ritmo em sessões e distâncias diferentes é uma "anomalia". "Há algo de errado e todos sabem. Nenhum técnico com o qual conversei disse que o resultado era normal. Muita gente simplesmente não acredita no que foi obtido por Ye."

Leonard rejeita a tese de que, por ter 16 anos, seu corpo estaria mais adequado para uma velocidade maior. Ele também rejeita a tese de que a chinesa é capaz de dar mais braçadas, que poderiam resultar nos recordes. / J.C.

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