''Não me passa pela cabeça ser substituído''

Brasileiro, pressionado pela Renault, admite ter feito a ''pior corrida da vida'' na China e aposta em boa prova no Bahrein

Entrevista com

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2009 | 00h00

Foi o próprio Nelsinho Piquet que definiu, no último domingo, em Xangai: "Disputei hoje uma das piores corridas da minha vida." No GP da China, realizado sob chuva, Nelsinho largou em 17º e chegou em 16º, tendo cometido vários erros. "Não sei por qual razão fui tão lento", afirmou com sinceridade desarmante, como sempre. Nelsinho não conseguiu até agora, neste ano, passar da primeira fase no treino classificatório. Mas já hoje no circuito de Sakhir, no Bahrein, como o próprio piloto da Renault diz, "começa uma nova temporada" para ele. E parece estar tão animado que, conforme afirmou nesta entrevista ao Estado, "o risco de ser substituído não passa pela cabeça". Já ficou claro para você e seu time as razões de não ter podido explorar seu potencial na China? Nunca é uma coisa só. Sei que parece besteira, mas minha viseira embaçava tanto que tinha de passar a mão por dentro. Por duas vezes errei e precisei parar para trocar o bico, o que me desanimou. Por estar uma volta atrás, a todo instante recebia a bandeira azul para deixar um carro mais rápido me passar e eu tinha de tirar o pé do acelerador. Tem mais: raramente me deixaram treinar com pista molhada. Mas isso faz parte do passado. Não te preocupa o fato de já se comentar que você tem mais algumas corridas para demonstrar sua capacidade? Eles não reclamaram comigo. Nosso carro é mais lento que muitos e eles sabem. A partir do Bahrein vamos dispor de um equipamento entre seis décimos e um segundo mais rápido por causa das modificações aerodinâmicas. Trouxeram um novo difusor para o Alonso e o que ele usou na China está no meu carro. Só de saber que me permitirá classificar melhor no grid, a minha perspectiva para o fim de semana muda. Não posso pensar que poderei ser substituído. Meu foco é aproveitar esse novo momento da equipe e transformá-lo em meu também. Sei que as cobranças, agora, virão mesmo. Como é encarar seu grupo de trabalho sabendo que eles trabalharam duro a fim de preparar o carro para a prova da China e você não correspondeu? O Flavio Briatore (diretor da Renault) não me cobrou, porque tem consciência de que o carro do Alonso, com o novo difusor, em Xangai, era sete décimos mais rápido. Aqui, com o mesmo equipamento, sinto que eles terão argumento caso as coisas não funcionem. Seu pai (Nelson Piquet) tem vindo às provas, o que em 2008 só ocorreu uma vez. Você pediu, como é sua relação com ele? Já me senti muito sozinho e a maneira como o Briatore cobra não é das mais amenas. Contar com o meu pai é sempre bom, pois a simples presença dele impõe respeito. Se eu tiver problema, ele está aqui para me ouvir. Mas o bom é que meu pai não se intromete em nada.

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