'Não passa pela cabeça a eliminação'

Técnico quer manter o pensamento positivo, mas admite medo do que pode ocorrer em caso de queda na Libertadores

Entrevista com

DANIEL BATISTA, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2013 | 02h09

O Palmeiras terá mais dois jogos pelo Campeonato Paulista - contra Mirassol e Linense - antes de voltar à Libertadores, mas ninguém pensa em outra coisa que não seja o jogo contra o Tigre, no dia 2. Em entrevista ao Estado, o técnico Gilson Kleina admitiu a pressão pela vitória e disse que teme por nova crise em caso de tropeço. Ele explicou ainda a formação do time e revelou o motivo do "sumiço" de João Denoni e Ayrton.

Como avalia o atual momento de sua equipe?

O momento é bom e estamos usando bastante o elenco. E quem entra está aproveitando a chance. Fico contente em ver que o time está sendo mais dinâmico e objetivo, mas uma coisa que preocupa é que temos de definir mais.

E seu momento? Sente-se

pressionado?

Às vezes a análise é feita em cima do resultado e sei que não vou agradar a todo mundo. Quando cheguei, não consegui implementar meu padrão de jogo. Administramos a situação do ano passado e os resultados não vieram. Com o trabalho zerado neste ano, os resultados estão vindo. Cheguei ao Palmeiras pelo lado inverso. O lado difícil, negro, da pressão. Aos poucos, estamos nos reerguendo.

Tem medo de ser demitido?

Não. Cheguei no ano passado para salvar o time e não deu certo, algo inédito, já que consegui nas outras vezes em que tive desafio assim. Acho que tem de analisar o trabalho e ver que o time está em formação.

Uma eliminação na Libertadores pode iniciar uma nova crise?

Não passa pela nossa cabeça a eliminação, mas é claro que, não tendo o resultado esperado, a gente fica esperando uma reação negativa do torcedor e tudo o que pode acontecer. Teremos de ser blindados para enfrentar a situação. Até mesmo aqui dentro (na diretoria), sabemos que futebol é resultado e, se eles não aparecem, tudo pode acontecer.

Ainda tem medo da torcida?

Daquela maneira que agiram na Argentina, eu tenho. Se estou com a família em um lugar, nem posso reagir. Meu maior receio é que isso se torne modismo e achem que a solução é sair batendo em todo mundo.

Você tem um padrão tático?

Eu não fico refém de um esquema. Eu fui contestado quando escalei três volantes, mas ninguém sabe como é o dia a dia. Agora temos um time com mais dinamismo e daremos continuidade a isso. O que falta é concluirmos melhor para o gol.

O time que caiu tinha Barcos e Marcos Assunção, entre outros. O time de hoje é melhor?

O elenco atual é mais comprometido e mostra que quer ganhar alguma coisa aqui. Tecnicamente, aquele time do ano passado era melhor mesmo, mas não tinha a mesma gana que tem essa equipe.

Wesley já disse que não gosta de ser meia. Porque insistir nele?

Ele tem recurso para isso. Sabe driblar, passar e tem treinado finalização. Conversei com ele e expliquei que é um desperdício ser segundo volante. Ele tem um futebol atrevido e, quando joga de volante, sai muito e deixa desguarnecida a defesa. E ele é o único jogador que temos atualmente que sabe dar criatividade e inteligência ao time.

Você fez muitos elogios a

João Denoni e Wendel, e Ayrton chegou cheio de moral. Porque eles não estão mais jogando?

Quando chegou o Vilson, optei por ele por ser mais experiente e alto do que o Denoni, mas conto com esse garoto, que mostra muita personalidade. Mas tenho de ter cuidado com ele para não acontecer o que aconteceu com outros atletas (desgaste com a torcida). O Ayrton precisa se adaptar à lateral. Ele joga como ala. E o Wendel é versátil e boa pessoa. Em breve lhe darei uma oportunidade.

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