Napoli tem chance de voltar aos velhos tempos e ser líder

Em terceiro lugar, equipe tem de vencer o líder Milan para viver um dia memorável e lembrar dos tempos de Maradona

Sérgio Martins, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 00h00

Os italianos amantes do futebol têm hoje toda a razão para não tirar os olhos da televisão. O líder Milan, com 55 pontos, terá pela frente o Napoli, terceiro colocado, com 52, no San Siro.

Se vencer, o time do sul da Itália desbanca a equipe milanesa da liderança e dá aos seus tifosi uma alegria que não sentiam desde o final dos anos 1980 e o início da década de 1990, período em que o Napoli conquistou os dois únicos scudettos de sua história (1986/1987 e 1989/1990).

Aquela era a época mágica de Diego Maradona, que com sua mística camisa 10 fez com que todo o sul da Itália mergulhasse num estado de euforia jamais experimentado antes e nem depois. A empolgação que varria as ruas napolitanas naqueles anos de ouro era tanta que, nos altares caseiros em louvor a San Gennaro, as pessoas colocavam um retrato do craque argentino ao lado da imagem do santo padroeiro da cidade.

O argentino foi embora e vieram os duros anos de provação, quando o clube ficou afastado da Série A desde 2001, chegando a ser rebaixado para a Série C. Em 2004, o supremo vexame: pediu concordata.

O Napoli, no entanto, tem um grande trunfo: segundo pesquisa feita em 2007, pelo Instituto Doxa, sua torcida seria a quarta maior do país, com 9% da preferência dos italianos (cerca de 3,3 milhões de torcedores).

E foi a partir desse importante patrimônio que o clube reagiu, até que na atual temporada aquele velho sentimento de orgulho voltou a habitar os corações de seus torcedores.

E se hoje não existe mais Maradona, um outro atacante, igualmente sul-americano, vem a cada jogo despertando uma adoração parecida com aquela provocada pelo argentino. Trata-se do uruguaio Edinson Cavani, de 24 anos, vice-artilheiro do campeonato, com 20 gols.

Um dos destaques da seleção uruguaia que terminou sua campanha na Copa da África do Sul em surpreendente 4.° lugar, Cavani atuava pelo lado esquerdo do ataque na Celeste Olímpica, e tinha a companhia no meio da dupla Forlán-Suárez. Mas depois de ser contratado do Palermo por cerca de ? 16 milhões (R$ 36,4 milhões), logo após o Mundial, o técnico napolitano Walter Mazzarri colocou-o numa posição mais central do ataque, mas com liberdade para cair pelos lados do campo. Com isso, Cavani passou a fazer gols decisivos. Hoje, o valor do uruguaio já ronda a casa dos ? 30 milhões (R$ 68,2 milhões).

Inter é vice. A Inter venceu a Sampdoria por 2 a 0 e assumiu a vice-liderança do Italiano com 53 pontos. Outro resultado que chamou a atenção dos torcedores foi a goleada da Udinese sobre o Palermo por 7 a 0. O chileno Alexis Sánchez marcou quatro gols e Di Natale, artilheiro do campeonato, com 21, fez três.

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