Natação do Brasil lança novo talento

O estilo de Lucas Salatta é o medley, o mesmo de Ricardo Prado, fenômeno da natação brasileira nos anos 80 - foi prata, nos 400 m, na Olimpíada de Los Angeles, em 1984. A motivação de Lucas, ainda um juvenil, são os resultados. Aos 15 anos, vai estrear na seleção brasileira adulta no Pan-Pacífico de Yokohama, de 24 a 29 - a equipe, com 25 atletas, embarca nesta segunda-feira para o Japão. O Brasil vai ao Pan-Pacífico - que reúne países banhados pelo Oceano Pacífico - como convidado de uma competição que terá equipes fortíssimas, como as dos Estados Unidos e da Austrália, e a participação do "espelho" de Lucas, o jovem fenômeno australiano Ian Thorpe, recordista mundial dos 200, 400 e 800 m, livre. O bom nível técnico do Pan-Pacífico levou a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) a indicar o torneio como a primeira de quatro seletivas para a obtenção de índices para o Pan-Americano de Santo Domingo, República Dominicana, em 2003. Lucas, de 1,75 m e 73 quilos, define o Pan-Pacífico "como uma grande experiência". Seu objetivo é obter o índice para o Pan nos 200 m (2min06s20) e 400 m (4min21s83), medley. Lucas tem 2min07s45 na prova dos 200 m e 4min33s40 nos dos 400 m. Os recordes sul-americanos ainda são de Ricardo Prado - o dos 200 m, de 1983 (2min04s10), e dos 400 m, de 1984 (4min18s45). "O Prado foi fenomenal, treinava nos Estados Unidos, em condições que o País não tinha na época. Nos últimos anos, o Brasil chegou mais perto do restante do mundo. Há evolução na integração entre os trabalhos nas categorias de base", diz Fernando Vanzella, técnico de juvenis do Pinheiros. Vanzella acha que a evolução de Lucas Salatta também decorre do trabalho de outros técnicos, como Álvaro Taba, do infantil. Lucas foi levado à natação aos 2 anos, a conselho médico, por causa de problemas respiratórios. Começou na Raia 4 e, aos 9 anos, treinou no Projeto Ricardo Prado, no Ibirapuera. Passou pelo Projeto Acqua antes de chegar ao Pinheiros. Alia talento à boa formação e aplicação nos treinos. E sabe que ainda pode evoluir na técnica dos estilos, peito e costas (é bom no borboleta), e no próprio desenvolvimento físico.

Agencia Estado,

18 Agosto 2002 | 17h43

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