Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Natação paralímpica quer levar ‘alegria’ ao México afetado por terremoto

Quase três meses após terremoto, para-atletas do País falam em tentar diminuir o sofrimento do povo mexicano

Rafael Franco, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2017 | 07h00

O Mundial Paralímpico de Natação de 2017, que começará neste sábado, na Cidade do México, vai ser realizado inevitavelmente sob o triste signo histórico de um forte terremoto que causou centenas de mortes e enormes danos materiais à capital mexicana no último dia 19 de setembro, quando foi atingida por um tremor de magnitude 7,1 graus na escala Richter. 

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A competição, primeiro grande evento da natação paralímpica no ciclo que visa principalmente os Jogos de Tóquio-2020, estava inicialmente marcada para ocorrer entre o final de setembro e o início de outubro, mas acontecerá somente agora após ter o seu cancelamento altamente cogitado, tendo em vista as consequências desta grande tragédia. 

Um dos maiores nomes da história da natação paralímpica do País, André Brasil admite que este último terremoto foi um baque para ele e para milhões de pessoas ao redor do planeta, mas agora espera ajudar a colaborar, por meio de sua participação neste Mundial, a aplacar de alguma forma o sofrimento do povo mexicano.

"Mais do que qualquer coisa, eu, enquanto atleta, me sinto no dever de trazer um pouco de alegria por tudo aquilo que foi vivenciado. Estar indo para o México, agora, deixou de ser apenas o meu quinto Mundial. Passou a ser um chamado para (encontrar) um povo que vivenciou um momento tão difícil há pouco tempo", afirmou o nadador, que possui 14 medalhas de Jogos Paralímpicos e 24 de Mundiais, sendo vinte e duas delas de ouro ao total nas duas competições.

E André lembrou que a tragédia, ocorrida poucas horas antes de a delegação do Brasil tentar embarcar rumo ao Mundial, aconteceu exatamente 32 anos depois do pior terremoto da história do México. Em 19 de setembro de 1985, a Cidade do México foi devastada por um violentíssimo tremor que chegou a atingir 8,3 graus e matou cerca de 10 mil pessoas, além de ter derrubado 412 edifícios na capital nacional e danificado a estrutura de ao menos 3 mil outros prédios.

"Engraçado é que aquele (último 19 de setembro) foi um dia de comemoração por um terremoto de muitos anos atrás. Ter acontecido foi primeiro trágico. Quando a gente pensa pelo nosso lado, pelo lado de preparação, um pouco mais egoísta, a gente se sente um pouco chateado. A gente se preparou, estava voltado para aquele momento, e de repente você tem uma quebra. Bom, mas como todo atleta, eu acho que a gente tem de se reinventar. A gente tem de buscar uma nova motivação, a gente sabia que, passada toda a turbulência, depois de a cidade ficar um pouco melhor estabelecida, a gente sabia que o Comitê Paralímpico Internacional daria uma solução. Eu, particularmente, estava com votos de que o Mundial fosse o ano que vem, não neste ano", admitiu, em entrevista ao Estado. "Nós, brasileiros, como a maioria do mundo, ficamos comovidos com tudo o que aconteceu", completou.

O sentimento de André, por sua vez, é compartilhado por Edênia Garcia, outro nome de destaque da natação paralímpica brasileira, com várias medalhas em Mundiais, entre elas três de ouro nos 50m costas.

"A questão do terremoto a gente sabe que a cidade do México ainda está sentindo. Têm pessoas que perderam casas, que perderam parentes, então acho que o esporte paralímpico, indo para o Mundial na Cidade do México, vai levar um pouco mais de alegria. A gente espera estar levando uma energia boa para o pessoal que estará lá, que estará trabalhando, que estará assistindo o Mundial. E a gente quer voltar com isso: com a certeza de que a gente levou algo de positivo para a cidade também", ressaltou.

A nadadora cearense de 30 anos também elogiou a decisão do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) de ter mantido o Mundial da Cidade do México, pois acredita que tirá-lo de lá seria uma nova punição aos organizadores e ao público, que gostaria de acompanhar o evento de perto.

"No dia (do terremoto) eu achei que poderia acontecer de o Mundial ser suspenso, de não ter mais, mas acho que a avaliação do Comitê Paralímpico Internacional foi muito acertada na questão de acontecer a competição. A competição vai trazer um brilho para a cidade", destacou.

O nadador Gabriel Souza, estreante neste Mundial, foi outro que admitiu ter sofrido após a competição ser adiada em virtude do terremoto, mas enfatizou que a remarcação da data do evento foi irrelevante perto da magnitude da tragédia. 

"Fiquei muito triste naquele momento, como todos os atletas ficaram, mas lamentei muito mais pelas vítimas falecidas e pelas pessoas da Cidade do México, pois elas foram muito prejudicadas. E, se eles (organizadores) adiassem o Mundial para o ano que vem, eu iria entender plenamente", disse.

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